João Pessoa 22/06/2018 19:21Hs

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Protestos por caso de negro morto por policial tomam NY

Suspeito de vender cigarros ilegalmente, Eric Garner morreu após receber uma 'gravata'. Júri popular decidiu não indiciar o policial envolvido na abordagem

manifestantes protestamDiversos protestos foram registrados em Nova York na noite desta quarta-feira depois que um grande júri decidiu não levar a julgamento um policial branco acusado de matar um homem negro em Staten Island, ao sul de Manhattan, em 17 de julho. Eric Garner, de 43 anos, suspeito de vender cigarros ilegalmente, morreu ao ser contido à força por vários policiais. Um deles, identificado como Daniel Pantaleo, lhe aplicou uma “gravata”, procedimento proibido pela polícia de Nova York desde 1993. A abordagem foi registrada por uma câmera amadora. Nas imagens, Garner, obeso e asmático, reclama de não conseguir respirar durante o golpe.

O caso provocou revolta na cidade e, na mesma noite em que eram acesas as tradicionais luzes da árvore de Natal do Rockefeller Center, centenas de pessoas marcharam na Times Square em um protesto embalado por gritos de “Eu não consigo respirar” – as últimas palavras ditas por Eric Garner. Na estação Grand Central, o principal terminal metroviário da cidade, os manifestantes deitaram no chão para pedir justiça. Marchas também aconteceram em outras cidades, como na capital Washington DC e em Oakland, na Califórnia. Apesar da indignação, os protestos foram em sua maioria pacíficos – para alívio das autoridades, que temiam manifestações violentas como as registradas em Ferguson, no Missouri, após um júri local ter decidido não indiciar o policial que matou Michael Brown. Mesmo com a relativa calma, a polícia de Nova York reportou trinta detenções.

“Essa luta não acabou. Ela apenas começou. Eu estou determinada a conseguir justiça porque o meu marido não deveria ter sido morto dessa forma. Ele não deveria ter sido morto de forma alguma”, declarou a viúva Esaw Garner à rede americana CNN. Após semanas de investigação, o júri popular de Staten Island declarou não ter encontrado evidências suficientes para julgar o policial. Depois da decisão, o prefeito Bill de Blasio cancelou sua presença na cerimônia no Rockefeller Center e pediu que a população manifestasse sua insatisfação de forma pacífica.

Investigação federal – Ainda na noite de quarta, o secretário de Justiça dos Estados Unidos, Eric Holder, anunciou que seu departamento efetuará uma investigação independente para determinar se houve violação de direitos civis no caso de Eric Garner. A investigação federal será “independente, exaustiva, justa e ágil”, disse Holder em uma breve declaração pública, poucas horas depois da divulgação da decisão do júri de não indiciar o agente que matou Garner. O primeiro negro a ocupar a secretaria de Justiça, Holder reiterou a necessidade de que a confiança entre a polícia e a população seja “restaurada”.
(Com agência EFE)