João Pessoa 28/05/2018 09:29Hs

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Queda do PIB no 1º tri de 2016 mostra país no fundo do poço

Temer faz hoje discurso mais duro contra legado de Dilma na economia

temer diaA queda do PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre mostra que o Brasil está perto do fundo do poço, mas ainda terá um longo caminho para sair da crise. A economia encolheu 0,3% _menos do que as previsões do mercado, que oscilavam entre 0,7% e 0,8%.

Uma queda menor é uma boa notícia, mas é uma queda. Significa que a economia continuou a encolher por cinco trimestres consecutivos, de acordo com os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Esse cenário econômico desastroso ajuda a explicar por que Dilma Rousseff perdeu o poder e sinaliza dificuldade para a presidente afastada reassumir o Palácio do Planalto. O presidente interino, Michel Temer, enfrenta um quadro de imensa adversidade. Não será fácil sair da crise.

A gravidade da situação econômica deverá ser o foco de um discurso duro que Temer pretende fazer nesta manhã. Deverá falar do legado pesado que recebeu de Dilma. A fala abrirá a solenidade de posse hoje dos presidentes da Petrobras, do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Temer deve fazer um discurso equivalente a um pronunciamento em rádio e TV. Ele tem optado por esse formato em solenidades. Fez três discursos até: um na posse, outro quando anunciou medidas econômicas, como a proposta de emenda constitucional para criar um teto, e uma fala mais rápida ontem numa reunião com secretários da Segurança Pública em virtude do caso de estupro coletivo que está sendo investigado no Rio de Janeiro.

Fortemente focado na economia, Temer dever adotar uma narrativa mais explícita e dura do que as anteriores para dizer que recebeu de Dilma um país em crise e que demandará ajustes duros na economia. A tendência é que seja o discurso mais forte desde a chegada do peemedebista ao poder.

Temer deverá falar do peso de um legado de mais de 11 milhões de desempregados, de empresas em situação de crise e de que será preciso aplicar medidas duras, mas eficientes.

Deverá bater nessa tecla de que está colocando na Petrobras, por exemplo, um executivo experiente, Pedro Parente, que terá um grande desafio: recuperar uma estatal que enfrenta forte crise e que sofreu com erros de gestão no governo Dilma.

Deverá falar também da expectativa que tem em relação ao BNDES, que será presidido por Maria Silvia Bastos Marques. Provavelmente vai explicar mais o que auxiliares têm chamado de herança maldita, mas não usará essa expressão, que foi utilizada pelo PT em relação ao governo FHC em 2003.

Temer tem feito muitas reuniões de articulação política. Fez um ministério voltado para o Congresso. Mas precisa buscar o apoio da opinião pública para se sustentar politicamente. A avaliação é que ele precisa explicar à população as dificuldades econômicas para receber apoio para aprovar no Congresso medidas duras.

Se houver uma menção à Lava Jato, deverá ser rápida e na linha de apoio que tem feito parte de seus discursos. O recado de hoje será econômico.

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