João Pessoa 18/07/2018 05:10Hs

Início » Notícias » Quem não quer governante ladrão deve entrar na política, diz Lula.

Quem não quer governante ladrão deve entrar na política, diz Lula.

Condenado a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na Lava Jato no caso do triplex do Guarujá, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (18), segundo dia da caravana que faz pelo Nordeste, que se o cidadão não quiser ser governado por “ladrão”, deve ele mesmo entrar na política. “Quando você disser que o Lula é ladrão, que o deputado tal é ladrão, que o prefeito tal é ladrão, quando todo mundo for ladrão e ninguém prestar, ainda assim você vai ter que tomar uma decisão que é a de entrar na política. Porque o político honesto que vocês querem está dentro de vocês”, disse o ex-presidente, em palestra com ares de comício, na 4.ª Jornada da Juventude em Cruz das Almas, município baiano.

Proibido pela Justiça de receber o título de doutor honoris causa da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Lula participou de dois atos públicos na cidade. O primeiro, na entrada da instituição, foi organizado às pressas para preencher a lacuna na agenda da caravana. Antes, o petista visitou a universidade fundada em 2006, no fim de seu primeiro governo, e foi recebido pela direção, professores e funcionários. O segundo foi a palestra na jornada. Para evitar problemas com a Justiça Eleitoral, o prefeito de Cruz das Almas, Orlandinho (PT), tratou de dizer que aquilo não era campanha antecipada nem configurava uso eleitoral da máquina municipal.

Em entrevista a uma rádio em Salvador, Lula afirmou que “o golpe não fecha” sem a sua interdição eleitoral, e citou nomes de possíveis substitutos na disputa, caso seja condenado em segunda instância e impedido de disputar o pleito de 2018: o ex-governador da Bahia Jaques Wagner, e os governadores petistas Fernando Pimentel (MG), Rui Costa (BA), Camilo Santana (CE) e Wellington Dias (PI).  O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), ficaram de fora da lista.

Na terça-feira (15), Lula havia dito que Haddad “vai ter a função que ele quiser” na campanha de 2018, mas evitou falar sobre qual cargo o ex-prefeito de São Paulo deve disputar. “Ainda não estamos falando em eleição. Por enquanto o papel do Haddad é coordenar um forte programa de governo nas área da educação já que ele foi o melhor ministro da Educação que o Brasil teve”, disse. A possibilidade de Haddad substituir Lula divide o PT. Parte do partido defende seu nome e outra parte torce o nariz por causa de críticas que o ex-prefeito fez à legenda e à presidente afastada Dilma Rousseff.

Na entrevista desta sexta-feira à rádio da Bahia, Lula foi reticente, mas apontou supostos erros da sua sucessora. “Dilma não pediu para ser candidata. Eu a indiquei. Do ponto de vista gerencial, ela fez muita coisa. Do ponto de vista político, todo mundo se queixa da Dilma. Não sei se ela sozinha tem culpa ou quem tem culpa junto com ela, se é a própria classe política. Se ela tivesse me procurado e falado que não queria ser candidata à reeleição… Mas não procurou”, disse o ex-presidente. Segundo ele, Dilma é uma “pessoa excepcional”, mas tem dificuldade de ouvir.

Lula elogiou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que foi presidente do Banco Central nos oito anos de seu mandato. “Devo muita gratidão a ele (Meirelles) pela lealdade como se comportou nos oito anos do meu governo. Eu dizia à Dilma que o Meirelles precisa é de debate e orientação. Agora o que está acontecendo com o Meirelles é que o governo (Michel Temer) está sem rumo. O Meirelles tem contribuído para o Brasil”, afirmou

Diário de Pernambuco