João Pessoa 21/06/2018 12:09Hs

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Sem transição, prefeitos eleitos da PB vão tomar posse sem conhecer realidade de suas cidades

Vários prefeitos eleitos de cidades paraibanas devem mesmo tomar posse em 1º de janeiro sem conhecer a real situação dos municípios a ser deixada pelos seus antecessores. Isso porque, apesar desses novos gestores terem buscado exaustivamente fazer esse contato, através da instalação de uma equipe de transição, os prefeitos ainda em exercício só fizeram resistência nesse sentido. Com isso, a reportagem do PolíticaPB entrou em contato com alguns desses futuros prefeitos que estão sendo penalizados com essa situação, para ver quais as medidas a serem tomadas por eles assim que assumirem seus cargos eletivos.

O prefeito eleito de Solânea, Beto do Brasil (PPS), revelou que até o momento não tem nenhum dado da prefeitura da cidade que irá conduzir a partir de janeiro próximo porque tentou de várias formas, mas só encontrou resistência da atual administração do prefeito Dr. Chiquinho (PMDB) para instalar a equipe de transição. Desse modo, ele contou que vai ter que contratar uma auditória assim que assumir seu mandato para diagnosticar a real situação a ser deixada na prefeitura pelo seu antecessor.

“Até agora nós não temos nenhuma informação da real situação da prefeitura de Solânea. Inclusive, já enviamos ofício à prefeitura, tentamos contato de todas as formas possíveis, mas infelizmente não obtive nada. Portanto, agora como forma de nos precaver, vamos ter que contratar uma auditória antes mesmo de iniciamos os trabalhos na minha gestão”, contou Beto do Brasil.

O mesmo dilema de falta de diálogo vem sendo enfrentado pela prefeita eleita de Cajazeiras, Denise Oliveira (PSB), visto que foi encaminhado por ela um ofício solicitando a instalação da equipe de transição, mas até agora nada foi garantido pela administração do prefeito Carlos Rafael (PTB). Com isso, Denise informou a nossa reportagem que vai seguir a orientação do Ministério Público Federal (MPF) de também contratar uma auditória para se resguardar de qualquer problema deixado na prefeitura pelo seu antecessor.

“Na verdade, estamos mesmo passando por esse problema. Inicialmente, quem iria conduzir esse processo era a ex-procuradora do município, Dra. Catharine Rolim, mas ela pediu desligamento do cargo e a Dra. Cícera Rolim que ficou de nos auxiliar no lugar dela, através de relatórios, já que a mesma não concordava em se reunir com a nossa equipe, também não viabilizou em nada no que se refere ao processo de transição. Portanto, o que nos resta é seguir as orientações do MPF, contratando uma auditória e enviando até o dia 30 de janeiro próximo informes de como encontraremos a prefeitura de Cajazeiras”, frisou Denise.

Outra futura gestora que há mais de dois meses tenta sem sucesso um diálogo amistoso com o atual prefeito de Pilões, Félix Antônio (PP), para tratar da transição administrativa, é a prefeita eleita Adriana Andrade (PTdoB). Segundo ela, depois de manter contato por telefone e pessoal com o prefeito exercício, também encaminhou ofício ao gabinete do prefeito solicitando a colaboração para instalar a equipe de transição e ainda pedindo outras documentações relacionadas à administração local, mas até o momento não obteve resposta alguma nesse sentido.

“Fiz de tudo, mas até agora nada adiantou, pois ele não deu uma confirmação consistente”, disse ela acrescentando agora lhe “faltou paciência”, e por isso irá entrar com uma ação no Ministério Público para que a mesma tenha direito aos pleitos solicitados ao atual gestor. “Vou juntar toda a documentação e, procurar o ministério público, talvez só assim ele atenda as nossas reivindicações”, disparou Adriana.

A mesma problemática de falta de transição também vem sendo enfrentada pelo prefeito eleito de Pedra Branca, Allan Felliphe Bastos (PR), que da mesma forma dos gestores já citados, vai ter que contratar uma auditória assim que tomar posse para poder ter acesso a real situação da prefeitura a ser deixada em 31 de dezembro pelo atual prefeito José Anchieta Noia (PTB).

“Aqui a transição também é inexistente. Desde o último dia 16 de novembro esperamos uma posição do atual prefeito nesse sentido. Buscamos contato, enviamos ofícios pedindo a instalação da transição e para acompanhamento de obras, mas até agora nada. Já fui até diplomado e vou tomar posse sem conhecer os dados reais da prefeitura que iremos administrar. Então, vamos ter que contratar uma auditoria, conforme nos orientou o Tribunal de Contas do Estado assim que assumir o mandato”, desabafou Allan.

Fonte: Adaucélia Palitot- PolíticaPB