João Pessoa 26/05/2018 02:12Hs

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‘The Walking Dead’: a caminhada das patrulhas zumbis

zumbis----------00Não é à toa que a série norte-americana ‘The Walking Dead’ faz tanto sucesso mundo afora. Com efeito, os mortos caminham. No Brasil, caminham, falam pelos cotovelos e mentem como o diabo. Cumprem também, orientados pelo mestre Belzebu, a aporrinhante missão de patrulhar os vivos: quem não concorda com as ideias mortas dos mortos-vivos, quem não se submete aos seus trevosos desígnios, é chamado de “golpista”, “fascista”, “coxinha” e “manipulado pela TV Globo”. Mesmo com horror, convém revisitar, rapidamente, o mundo geral das trevas.

Vai fazer um século no próximo ano, eclodiu na Rússia a revolução bolchevista, garantindo que através da violência (“parteira da história”, como reza a doutrina marxista) o paraíso se abriria na terra. O resultado foi terror e servidão, culminando com o horror do genocídio promovido por Stalin. Os zumbis cultuam aqueles tempos macabros, são devotos de tiranos defuntos, continuam pregando que a violência revolucionária constrói o paraíso. Antes do paraíso, porém, o inferno. Todos os regimes bolchevistas promoveram o terror; uns assassinaram na escala de milhares, outros exterminaram na escala de milhões. O cientista político R. J. Rummel, no artigo “Marxismo: a máquina assassina”, publicado no site do Instituto Ludwig von Mises (28/04/2013), registra:

“No total, os regimes marxistas assassinaram aproximadamente 110 milhões de pessoas de 1917 a 1987”.

Os zumbis rejeitarão esse registro ou justificarão os assassinatos. Mas existem dezenas de registros semelhantes, testemunhas, narrativas, imagens; um sem fim de evidências. Seja como for, os zumbis sempre darão um jeito de capturar os fatos e submetê-los aos seus propósitos de propaganda.

No século XX, do Leste Europeu à Ásia, o marxismo revolucionário submeteu metade da humanidade à servidão. Até que esse modelo, de ruim que era, apodreceu e foi caindo aos pedaços. O símbolo desta queda, que ainda não se concluiu, foi a queda do muro de Berlim, ocorrida em 1989. Isso todo mundo sabe, todo mundo viu; mas os zumbis ainda não entenderam.

A queda, como se disse, não se concluiu. Alguns regimes do socialismo bolchevista, também dito comunismo, resistem; embora com adaptações. A China continental, ainda que mantendo a ditadura de partido único – modelo comunista típico -, reintroduziu o capitalismo na sua forma mais selvagem, com exploração brutal do trabalho.  Já se escreveu sobre isso extensamente. Para rápida introdução ao tema, recomendo o artigo “O inferno na fábrica do mundo”, do economista e ambientalista Ricardo Coelho (disponível no site “matéria incógnita”). Reproduzo um trecho:

“Não é fácil encontrar as palavras certas para descrever o horror que enfrentam diariamente os trabalhadores chineses que produzem muitos dos bens que consumimos por aqui. Podemos, contudo, ter um retrato parcial da situação através de uma excursão pelas várias dimensões da exploração laboral.
Comecemos pelas mortes no trabalho. Nas fábricas chinesas, onde muitos trabalhadores têm de trabalhar 26 dias por mês, 12 horas por dia, e suportar turnos de 24 horas ou mais, é tão comum alguém morrer de cansaço que até criaram uma palavra para isso: ‘gulaosi’.”. Ricardo Coelho.

Enquanto isso, em Cuba, a ditadura de meio século dos Castros faz uns ensaios de abertura econômica, procurando se escorar nos EUA, e até já recebeu o presidente Barack Obama e os Rolling Stones. Pois, os zumbis brasileiros exibem uma hostilidade contra o capitalismo e contra os EUA que definha na China e esmorece em Cuba (da parte de alguns zumbis milionários, o anti-capitalismo é da boca pra fora, pois vivem no luxo burguês e adoram passear pelos States e pela Europa).

Já a Coreia do Norte permanece inabalavelmente fiel aos princípios totalitários do comunismo, sendo devidamente reverenciada no Brasil pela ala dos zumbis stalinistas. Todavia,  a paixão maior dos zumbis brasileiros é mesmo a ditadura de Cuba. Um fenômeno curioso, vejam isto:

Em Cuba, em abril de 2003, após julgamento sumário, três dissidentes foram condenados à morte e fuzilados.Vejam registro no site Folha de São Paulo, edição de 12/04/2003:

“Três homens condenados em Cuba pelo sequestro de uma lancha de passageiros na semana passada foram executados ontem após um rápido julgamento. Eles foram condenados à morte na última terça-feira por “atos muito graves de terrorismo”, e a sentença foi mantida pelo Supremo Tribunal de Cuba e pelo Conselho de Estado, presidido pelo ditador Fidel Castro (no poder desde 1959).”.

Essas execuções revoltaram até mesmo alguns aliados fiéis do regime cubano. O escritor português, Prêmio Nobel de 1998 e veterano comunista, José Saramago escreveu, então, uma carta que ficou famosa, sendo emblemática sua frase de abertura:“Até aqui cheguei”. É uma carta tão contundente quanto curta. Reproduzo tal como recolhida do site Folha de São Paulo, edição de 16/04/2003.

“Até aqui cheguei. De agora em diante, Cuba seguirá seu caminho, e eu fico onde estou. Discordar é um direito que se encontra e se encontrará inscrito com tinta invisível em todas as declarações de direitos humanos passadas, presentes e futuras. Discordar é um ato irrenunciável de consciência. Pode ser que discordar leve à traição, mas isso sempre tem de ser mostrado com provas irrefutáveis. Não creio que se tenha atuado sem deixar lugar a dúvidas no julgamento recente de onde saíram condenados a penas desproporcionais os cubanos dissidentes. E não se entende por que, se houve conspiração, não tenha sido expulso já o encarregado do escritório de interesses dos EUA em Havana, a outra parte da conspiração.
Agora chegam os fuzilamentos. Sequestrar um barco ou um avião é um crime severamente punível em qualquer país do mundo, mas não se condenam à morte os sequestradores, sobretudo ao ter em conta que não houve vítimas. Cuba não ganhou nenhuma heróica batalha fuzilando esses três homens, mas sim perdeu minha confiança, fraudou minhas esperanças, destruiu minhas ilusões. Até aqui cheguei.“. José Saramago.

Depois de alguns meses de contida amargura, a esplêndida artista e combativa militante de esquerda Mercedes Sosa também rompeu com a ditadura de Fidel Castro. Vejam a notícia, tal como recolhida do site “Collor abc”, edição de 26/09/2003:

“MIAMI, 25 (ANSA). La cantante argentina Mercedes Sosa afirmó en Miami que la ejecución en Cuba de tres hombres que en abril intentaron secuestrar un bote con pasajeros, a los que tomaron como rehenes, determinó su decepción con el gobierno de Fidel Castro.
‘Hasta allí llegó mi amor’, reiteró Sosa, opositora a la última dictadura militar argentina e identificada con los ideales de los movimientos de izquierda en Latinoamérica. Afirmó que “nunca pensó” que llegaría a sentirse defraudada del Gobierno cubano.”.

Os zumbis brasileiros nunca “chegaram” nem sequer a um ponto de crítica; seguem como devotos cegos de Fidel, do Che, da mística de Sierra Maestra.

Nostalgia é coisa muito forte, mas os zumbis brasileiros cultuam também o Socialismo do Século XXI – dito chavismo ou bolivarianismo -, cujo regime fascista do podre Nicolás Maduro na Venezuela é o resultado mais expressivo. Esse regime assassino vem desgraçando a Venezuela com violência e fome, a grande maioria dos venezuelanos exige o seu fim. Todavia, o brasileiro que se solidarizar com o povo venezuelano contra o regime chavista será chamado pelos patrulheiros zumbis de “fascista”, “imperialista”, “reacionário” e “manipulado pela TV Globo”.

Função de patrulheiro é patrulhar. É muito chato ser patrulhado, mas as patrulhas zumbis têm o direito de fazer caminhadas e discursos; apenas não será prudente deixá-los falando sozinhos. Contra a caminhada dos mortos-vivos, os vivos precisam também caminhar, ocupar ruas e praças, clamar contra o retorno das trevas. 31 de Julho será dia de grande caminhada dos vivos: em prol da luz, da liberdade, da democracia.