João Pessoa 25/06/2018 04:12Hs

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“Trinta” chega às salas do Recife

Obra mostra o início do percurso de Joãosinho Trinta, e, por isso, não aprofunda alguns aspectos de sua história

ator mateus mastergallePara justificar o requinte de suas fantasias e alegorias, Joãosinho Trinta costumava dizer: “O povo gosta de luxo. Quem gosta de miséria é intelectual”. A frase resume bem o espírito criativo do artista plástico que ressignificou o carnaval carioca, transformando a festa popular em um verdadeiro espetáculo ao ar livre. Nacionalmente conhecido por sua figura carismática, o carnavalesco, falecido em 2011, serve de inspiração para o filme “Trinta” (Bra. 2014), que estreia hoje nas salas de cinema do Recife.

A direção é de Paulo Machline, que, em 2009, dirigiu o documentário “A raça síntese de Joãosinho Trinta”, sobre o artista. No longa-metragem de ficção, ele também assina o roteiro, em parceria com Maurício Zacharias, Claudio Galperin e Felipe Sholl. Ao contrário de outras produções do gênero, que tentam reproduzir quase na íntegra a trajetória do biografado, o filme traça o retrato dele a partir de um recorte no tempo. Este é o maior trunfo do roteiro, que mostra o caminho percorrido até a consagração de Joãosinho (Matheus Nachtergaele), em 1974, quando ele venceu seu primeiro desfile de carnaval, “O Rei da França na Ilha da Assombração”.

No início, vemos o maranhense, recém-chegado ao Rio de Janeiro, realizar o sonho de tornar-se um bailarino do Theatro Municipal, abrindo mão do trabalho em uma repartição pública e encarando o preconceito da família. Dando um salto para o momento em que o personagem assume o comando criativo da Acadêmicos do Salgueiro, boa parte do longa se concentra na preparação para a apresentação e seus percalços. Até conseguir provar sua capacidade, Trinta enfrenta a resistência dos integrantes da escola. Ao mesmo tempo, ele vê sua amizade com Fernando Pamplona (Paulo Tiefenthaler), seu antecessor no cargo, se desfazer.

O enredo apresenta uma estrutura constituída por elementos que costumam agradar a maioria dos espectadores, mas não foge do lugar-comum: história de superação, conflitos e um final apoteótico. Ao apelar para a fórmula, no entanto, deixa de fora uma análise mais aprofundada de seu homenageado. A sensação é de que, no final das contas, não foi dessa vez que os brasileiros puderam conhecer o homem por trás do mito. Fora isso, o filme peca ao não levar em consideração o período histórico retratado. O Morro do Salgueiro, cenário da maior parte da trama, também parece passar despercebido diante do olhar da direção.

Vivendo o papel principal, Matheus Nachtergaele demonstra uma interpretação sensível e convincente, como lhe é de costume. Os atores coadjuvantes, apesar de um pouco prejudicados pela construção do roteiro, também fazem um trabalho interessante. Destaque para Fabrício Boliveira, como o Calça Larga, e Milhem Cortaz, que vive Tião, chefe de barracão que faz oposição a Joãosinho. Também estão no elenco Paolla Oliveira (Zeni), Mariana Nunes (Isabel) e Ernani Moraes (Germano).

Cotação: Regular

Saiba Mais
EXIBIÇÕES – “Trinta” foi lançado no Festival do Rio, em outubro, em sessão especial no Theatro Municipal, que foi o berço de Joãosinho Trinta. A estreia aconteceu no dia 13 de novembro, em 70 salas de cinema da Região Sul/Sudeste. Duas semanas depois, o filme chega ao eixo Norte/Nordeste, ampliando o total de salas de exibição para cerca de 140.

 

Folha de Pernambuco