João Pessoa 25/06/2018 06:17Hs

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‘Vamos ter que sair do Brasil’, desabafa viúvo de médica morta no Rio

medica-gisele-velorioO viúvo da médica Gisele Palhares Gouvêa, de 34 anos, morta a tiro numa tentativa de assalto na Linha Vermelha, na noite deste sábado, fez um desabafo durante o velório dela, na manhã desta segunda-feira, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Para o cirurgião plástico Renato Palhares, a violência no Brasil não tem mais jeito e a única solução para fugir dela é se mudar do país.

— A única opção vai ser sair do país. O país vai ser dominado pelo criminosos. Se continuar desse jeito, os nossos filhos, os nossos irmãos, todas as nossas famílias… acontecerá algo com eles — disse Renato.

Renato, do velório da mulher

Parentes e amigos no velório de Gisele

O velório de Gisele

O cirurgião contou que notou um reforço de policiamento no trajeto que fez da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, onde mora, até Nova Iguaçu. Mas, para ele, isso não passa de “enxugar gelo”:

— Num dia acontece o crime. No outro dia eles reforçam o policiamento. Igual a hoje. Vocês vão ver se vierem da Barra para Nova Iguaçu. Vários carros (da PM) na rua. Só que eu quero ver se semana que vem estará a mesma coisa. Eles ficam enxugando gelo. Ou o Brasil, nós cidadãos, nos unimos e mudamos, ou vamos acabar vítimas dessa violência.

Ana Carolina Lima Nóbrega, médica que trabalhava com Gisele, falou sobre a amiga. Muito emocionada, ela lembrou que esteve com a vítima na última terça-feira.

— É difícil aceitar. Nunca vi uma pessoa como ela. Sempre pensou nos outros. Sempre fez tudo para todo mundo. Era um anjo. Muito querida pelos pacientes. O pessoal conhecia ela. Antes de trabalhar lá já tinha ouvido falar dela — disse.

Renato fez uma homenagem a Gisele

‘Segurança é deplorável, disse médica ao pai

Uzias Moura Gouveia, de 75 anos, pai de Gisele, disse que a filha temia as vias expressas do Rio – tanto a Linha Vermelha quanto a Linha Amarela – e evitava passar por elas em horários em que os roubos são mais constantes.

— Dava para ver que ela tinha medo do caminho. Tanto que tinha horário previsto para evitar essas quadrilhas de bandidos. Sabendo da insegurança em que nosso país está, eu sempre falava: “Minha filha, vamos dar um jeito de modificar o sistema de viagens suas, para você não encarar essa Linha Vermelha, essa Linha Amarela, todos os dias. Isso é muito perigoso” — lembrou ele.

Uzias, o pai de Gisele

Segundo Uzias, numa das últimas vezes em que conversaram, a filha falou sobre uma possível blindagem do carro:

— Ela disse: “Ah, pai, no mês que vem eu e Renato vamos blindar um carro para podermos ter um um pouco mais de segurança. Porque a nossa segurança está em situação deplorável. São três coisas no nosso país em situação deplorável: a segurança, a educação e a saúde”.

Gisele será enterrada às 14h30m desta segunda, no Cemitério Jardim de Saudade de Mesquita, também na Baixada.

Delegado Giniton Lages: família será ouvida

Polícia pede imagens de câmeras

A morte da médica está sendo investigada pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). A especializada vai requisitar imagens de câmeras de segurança que monitoram a Linha Vermelha e a Rodovia Presidente Dutra. O objetivo é o de saber se as imagens flagraram a ação dos bandidos que mataram Gisele na alça de entrada da Linha Vermelha. O delegado titular da DHBF, Giniton Lages, afirmou que irá refazer o trajeto que a médica percorreu, de Nova Iguaçu até a entrada da Linha Vermelha.

— Todas as informações sobre o deslocamento são importantes. Este deslocamento pode trazer resultados importantes que nós procuramos. A ideia é, a partir do ponto em que ela deixou Nova Iguaçu, reconstruir todo esse trajeto e vir coletando o maior número de informações possíveis, informações essas que vêm através de câmeras de monitoramento de comércios e residências, para perceber e descartar se ela estava sendo seguida ou não. A partir disso vamos nos focar no local do evento, que é a Linha Vermelha, onde também faremos um esforço para tentar localizar câmeras instaladas na via — diz o delegado, que acrescenta: — Qualquer linha de investigação será checada, inclusive tentativa de latrocínio.

A polícia também vai investigar se a médica estava sendo monitorada por alguém, ou seja, se era perseguida. Parentes da médica também serão ouvidos, para que a polícia possa traçar o perfil da vítima.

O que se sabe até agora é que a médica foi encontrada ferida, por policiais militares, dentro de seu carro, um Ranger Rover. Ainda não se sabe o número de homens que participaram do crime.

Extra Online