João Pessoa 25/06/2018 11:21Hs

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Vereadores usam mordaça e quebram microfones, após anular de eleição da mesa

Parlamentares são contra projeto que cancela a eleição da Mesa Diretora

cancelou a mesaA sessão extraordinária desta quinta-feira (18), na Câmara da Serra, terminou mais uma vez em confusão. Vereadores insatisfeitos com a votação de um projeto protestaram amarrando as gravatas na boca para se “amordaçarem”. Microfones foram quebrados e um vereador chegou a, literalmente, sentar na mesa da presidência da Casa.

A origem da polêmica é o projeto de resolução protocolado na quarta-feira por um grupo de 13 dos 23 vereadores. A proposta cancela a eleição da Mesa Diretora da Câmara, realizada em junho, e convoca outra votação para o dia 31 de dezembro. O projeto foi aprovado ontem pelos mesmos 13 parlamentares.Policiais militares acompanharam os trabalhos parlamentares dentro e fora do plenário. Houve uma pequena manifestação de populares do lado de fora da Câmara, contra a aprovação.

Na sessão anterior, na quarta-feira (17), também havia ocorrido confusão. Ela foi encerrada após o vereador Aldair Xavier (PTB) tirar parte da roupa e ficar só de calça em plenário. Ele é do grupo que defende o resultado da eleição de junho, na qual a vereadora Neidia Pimentel (SDD) foi escolhida a presidente para o próximo biênio.

Votação

Nesta quinta-feira (18), dos 22 presentes, 13 votaram favoráveis à realização de nova eleição para a Mesa Diretora no último dia do ano. O detalhe é que Neidia havia sido eleita à unanimidade. Ou seja, todos os vereadores votaram nela há seis meses.

Mudança

A justificativa da maioria para trocar o posicionamento é de que a insatisfação sempre existiu, mas o grupo, em junho, reconheceu ser menor e votou em Neidia para “não criar constrangimentos”.

“Era indiferente votar contra. Cria clima pior quando já está derrotado e diz que é contrário. Por isso, eleições costumam ser unânimes”, diz o vereador Tio Paulinho (PV).

Guto Lorenzoni: quebras de decoro serão analisadas

Neidia diz que sofreu “golpe”. “Acredito que o resultado de junho prevalece. Estão preocupados porque não vamos aceitar o que o Executivo faz hoje. Prefeito manda projetos na hora da sessão começar e vereadores votam sem saber o que estão fazendo”, disse.

O outro grupo diz que apenas devolveu na mesma moeda o “golpe” do Neidia, que teria articulado para antecipar a votação durante período em que o presidente da Câmara, Guto Lorenzoni (PP), estava em Brasília.

“Os fins não justificam os meios. Lá atrás, fizeram manobra e os contrários não quebraram decoro. A situação de hoje é a mesma que de antes”, disse Guto. Ele contou ainda que as quebras de decoro serão analisadas na Casa.Entenda

Primeira eleição

Em junho, Neidia Pimentel foi eleita à unanimidade presidente da Câmara, para 2015 e 2016.

Justiça

Sete vereadores foram à Justiça contra o resultado da eleição alegando que ela foi indevidamente antecipada. A Justiça decidiu, liminarmente, que cabe à Câmara resolver o impasse.

Base

Sem decisão favorável na Justiça, o grupo de 13 insatisfeitos apresentou projeto na quarta-feira (17) para realizar nova eleição. Eles são maioria e aprovaram a mudança.

Audifax nega interferência
O prefeito da Serra, Audifax Barcelos (PSB), negou ter recomendado o movimento de sua base na Câmara municipal, embora alguns vereadores atribuam a ele a arquitetura da outra eleição para a Mesa Diretora da Casa.Em nota, o prefeito afirmou que “o respeito deve nortear a relação dos dois Poderes”. “Espero que a Câmara mantenha o equilíbrio e a harmonia para avançarmos ainda mais no desenvolvimento da cidade”, informou.

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