João Pessoa 19/07/2018 15:38Hs

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Zé Ricardo não é mais o técnico do Flamengo

Treinador não resistiu à derrota deste domingo para o Vitória

Zé Ricardo durante a derrota do Flamengo para o Vitória 

Zé Ricardo não sobreviveu à mais uma derrota do Flamengo e à pressão da torcida. O treinador foi demitido do clube na noite deste domingo. Pela manhã, o rubro-negro foi derrotado por 2 a 0 pelo Vitória, na Arena da Ilha.

O treinador comandou o Flamengo em 89 partidas, com 47 vitórias, 25 empates e 17 derrotas, com aproveitamento de 62,17%. Conquistou o Campeonato Carioca deste ano, mas se viu contestado principalmente após a eliminação prematura na Libertadores, ainda na fase de grupo. O Flamengo informa que Zé Ricardo não é mais treinador da equipe.

Uma considerável combinação de ingredientes faz a receita da queda de Zé Ricardo, até a noite deste domingo o mais longevo técnico nos clubes da Série A do Brasileiro. A derrota para o Vitória foi o estopim. O jogo fora marcado por quase 45 minutos de uma pressão raras vezes vista sobre um treinador. O presidente Eduardo Bandeira de Mello, sempre enfático ao defender a permanência, deixara o estádio sem falar. Era pressionado por pares de diretoria. À noite, uma reunião selou a queda.

A pressão tem a ver, como em geral ocorre no Brasil, com resultados. Mas também com o desempenho em alguns jogos e, principalmente, o contexto que envolve a formação do atual time do Flamengo. Após anos de redução de investimento na atual gestão, o emprego de somas generosas de dinheiro na formação do elenco, desde o ano passado, criara na torcida a convicção de que 2017 seria, enfim, o ano da recompensa: os títulos.

A queda na fase de grupos da Libertadores fragilizou Zé Ricardo no primeiro semestre. Por incrível que pareça, a chegada de reforços como Éverton Ribeiro, Rhodolfo, Geuvânio e Diego Alves criou ainda mais pressão: a sensação de que Zé Ricardo tinha na mão um dos melhores elencos do país não combinava com a distância em relação ao Corinthians, líder do Brasileiro, que crescia. Neste domingo, chegou a 18 pontos.

No entanto, o calendário não permitia tempo de treinamento com os novos reforços, já que o rubro-negro jogava sistematicamente às quartas e domingos. Os recém-contratados foram titulares do time na derrota para o Vitória. Nenhum deles têm mais de dois meses de clube. Um argumento que não bastou para salvar Zé Ricardo.

Curiosamente, ele morreu com uma espécie de “time da arquibancada”. A escalação mandada a campo contra o Vitória contrariou de forma frontal o modelo habitual do treinador. Personagem muito pressionado, Márcio Araújo ficou no banco. A surpresa foi a entrada de Willian Arão como único volante. Geuvânio e Éverton atuaram pelos lados, e Diego e Éverton Ribeiro foram os meias centrais, por trás de Vizeu. Uma formação ousada, mesmo para um técnico de estilo ofensivo.

Zé Ricardo garantiu que agiu de acordo com suas convicções, mas foi a campo um time sem vilões recentes eleitos pela torcida: Márcio Araújo, Rafael Vaz, Alex Muralha, Gabriel, nenhum deles esteve em campo.

—Isto nunca norteou meu trabalho. Tenho minhas convicções — afirmou Zé Ricardo.

Com a formação, o Flamengo até teve consistência no primeiro tempo e perdeu chances, uma delas incrível, com Felipe Vizeu. Mas o passar do jogo e a exigência física das funções de jogadores como Éverton Ribeiro e Diego neste esquema, além do calor, fizeram o time se espaçar e ter um segundo tempo caótico.

— Estou chateado comigo mesmo porque não tivemos rendimento. Saiu um pouco do nosso controle — disse o treinador.

O Globo