João Pessoa 23/05/2018 01:38Hs

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Comandante e sargento da PM de Bayeux têm morte encomendada

capitão KeltonO comandante da 4ª Companhia da Polícia Militar de Bayeux, capitão Kelton Pontes, revelou neste sábado (15), que um suspeito de praticar diversos crimes na cidade teria encomendado o seu assassinato e de um sargento da mesma companhia. De acordo com o policial, em escutas telefônicas, autorizadas pela polícia, o criminoso negociou com um comparsa do Rio Grande do Norte a compra de uma submetralhadora.

“Nas gravações também fica comprovada a contratação de dois homens do estado vizinho para executar o crime”, contou capitão Kelton. Segundo ele, o bandido estaria “revoltado” com a prisão do seu pai, efetuada pelo comandante e pelo sargento na semana passada.

“Na segunda-feira passada houve um homicídio em Bayeux, na frente de um bar, no bairro de Jardim São Severino, ao meio dia. Nós ficamos sabemos quem seria o autor do homicídio e na terça-feira tivemos uma informação de onde ele estava, mas ele conseguiu evadir. Pouco tempo depois chegou ao local, para tomar satisfações, o pai desse indivíduo, um soldado reformado do Corpo de Bombeiros. O pai estava de posse irregular de uma arma e foi dado voz de prisão. Esse criminoso já vem sendo monitorado e ficou revoltado com a prisão do pai. Em escutas telefônicas ficamos sabendo que ele estava querendo adquirir um fuzil do Rio Grande do Norte. Soubemos dessa intenção e depois que ele estava conseguindo uma submetralhadora e duas pessoas para matar a mim e o sargento Barlavento”, contou.

O policial afirmou que não tem medo de morrer, mas que fica decepcionado com a inversão de valores da sociedade. “Sinceramente eu não tenho medo, o que a gente fica é com raiva e decepcionado com a inversão de valores que tem no nosso país. A gente passa a ser mais um número para eles [criminosos]. Um homicídio a mais não faz diferença para eles, mas se a gente tirar a vida de um elemento desse a sociedade se vira contra a polícia. De pronto esse agente é afastado das funções e condenado pela sociedade”, desabafou.

Além de ter que conviver com a ameaça de morte, o capitão desabafou que o trabalho da polícia “está muito difícil”, pois dos cinco homicídios ocorridos nos últimos 15 dias em Bayeux, quatro foram “ordenados de dentro de presídios da Paraíba”.

Ele revelou também que a polícia tem a informação de outras ordens de assassinatos feitas por presidiários. “Temos a informação que pode ocorrer outros dois homicídios com ordem de presídio, um no Maguinhos e um no Mário Andreazza. Uma das vítimas já foi avisada e decidiu continuar no local. Como vou garantir a vida dele 24 horas podia, sete dias por semana?”, questionou.

O capitão Kelton Pontes afirmou que a Secretaria de Segurança do Estado e comando geral da Polícia Militar estão colaborando com as investigações para prender o suspeito que teria encomendado sua morte e do sargento. “O secretário tem prestado proteção, mas nem ele, nem ninguém podem garantir nossa vida”.

Redação com Correio