Líder do governo, Aguinaldo Ribeiro articula mudanças nas regras da delação para dificultar acordos

Alterações podem ser votadas em agosto e teriam intuito de esvaziar os poderes do Ministério Público

O líder do governo na Câmara, o paraibano Aguinaldo Ribeiro (PP), vem sendo apontado como um dos parlamentares que articulam mudanças nas regras da delação premiada, esvaziando os poderes do Ministério Público e tornando mais difíceis os acordos. Ele próprio poderia ser beneficiado uma vez que é alvo da Lava Jato.

Aguinaldo integra um inquérito aberto em 2015 pelo Supremo Tribunal Federal a pedido do procurador-geral da República Rodrigo Janot. Nele, políticos do PP são acusados de formar uma organização criminosa para assaltar os cofres da Petrotras. O deputado alegar ser inocente.

As mudanças podem ser votadas em agosto, após o recesso parlamentar, e com o aval do Planalto. Aguinaldo sustenta que o Legislativo precisa perder o medo de tratar do tema. Sob pena de se tornar um Poder irrelevante. Para ele, “o Poder Legislativo está acovardado, o Congresso Nacional não tem coragem de se impor.” Por essa razão, “tem perdido o seu poder.”

Ao defender na quinta-feira a rejeição da denúncia contra Temer na Comissão de Constituição e Justiça, ele disse em público que é necessário união dos deputados para discutir o assunto: “…Nós precisamos rediscutir essa legislação [sobre a colaboração premiada], que foi mal feita, mal produzida, que está sendo reinterpretada ao sabor dos interesses. Nós temos que ter coragem para enfrentar.”

A intenção é a de empurrar as novas regras sobre delação para dentro do Código de Processo Penal, cuja modificação está sendo debatida na Câmara. Aguinaldo parece enxergar no inferno astral vivido por Temer e Lula, um bom momento para a reação dos deputados. “É importante que nós possamos dar a resposta nesse instante. Sabe por quê? Porque isso vale para todos. Não é com alegria que nós vemos um ex-presidente da República sendo condenado. […] Nós não queremos isso para o país.”

O deputado é exemplo acabado da mutação genética que pode acometer esse espécime chamado “governista”. Ex-ministro das Cidades de Dilma Rousseff, ele votou contra o impeachment dela na comissão especial que tratou do tema. Depois, ao farejar a debilidade política de Dilma e constatar que a maioria da bancada do seu partido votaria a favor da deposição, o ex-ministro aliou-se à lâmina da guilhotina. Aguinaldo repetiu o vaivém com Eduardo Cunha e, agora, se mostra novamente aliado forte, dessa vez, de Temer.

Com informações do Blog do Josias