João Pessoa 26/04/2018 05:45Hs

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Maranhão acusa Cássio e Cartaxo de desprezarem sua pré-candidatura ao Governo do Estado

Mesmo não citando nomes, o presidente estadual do MDB na Paraíba, José Maranhão, usou as redes sociais nas últimas horas para acusar o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) e o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), de prejudicarem sua pré-candidatura ao Governo do Estado.

“Desde o anúncio do meu nome como o pré-candidato do MDB-PB, muitas oposições e alguns que se sentem ameaçados, tentam desacreditar da minha candidatura”, destacou Maranhão em postagem publicada no seu perfil pessoal no Instagram.

O emedebista também aproveitou a postagem para mandar um recado para os líderes da oposição. “Sou um político que tem relevância e experiência que não devem ser subestimadas”, enfatizou.

O desabafo de Maranhão nas redes sociais foi feito após a publicação de um artigo escrito pelo cientista político Flávio Lúcio, questionando o fato de Cássio e Cartaxo desprezarem a pré-candidatura do emedebista ao Governo da Paraíba nas eleições deste ano.

Leia abaixo na íntegra a postagem do senador:

Desde o anúncio do meu nome como o pré-candidato do MDB-PB, muitas oposições e alguns que se sentem ameaçados, tentam desacreditar da minha candidatura. Porém, o texto de Flávio Lúcio, lembra que eu sou um político que tem relevância e experiência que não devem ser subestimadas.

Esses são apenas alguns dos argumentos apresentados no dito texto, e que só corroboram com o político autêntico que sou e com a vitalidade e energia que disponho na vida política. #eze #eptojeto #eavanco #paraiba #e15 #epb

Leia abaixo na íntegra o artigo do professor Flávio Lúcio:

Por que Cássio e Cartaxo desprezam Maranhão?

Ao que parece, Cássio Cunha Lima e Luciano Cartaxo consideram José Maranhão muito bom para apoiar seus candidatos, mas jamais para ser apoiado por eles. Os apelos atuais pela desistência do ex-governador e atual Senador peemedebista não respeitam sequer a constatação de que, tanto os prefeitos de João Pessoa quanto o de Campina Grande, Romero Rodrigues, que antes postulavam a condição de candidatos únicos da oposição, desistiram e já não estão mais no páreo.

Ora, diante desse fato qual seria a atitude mais séria e adequada da chamada oposição? Apoiar José Maranhão, que, dos candidatos lançados desde o ano passado, é o único que continua no páreo. Maranhão sempre teve o completo domínio a respeito da perspectiva das candidaturas de Luciano Cartaxo e Romero Rodrigues. Com sua experiência, ele sabia que a possibilidade de desistência dos dois prefeitos, o que acabou por se concretizar, era grande, e por isso nutria a esperança de ser o candidato único da oposição quando esse quadro finalmente se estabelecesse.

Tanto que não se dobrou diante da confrontação de Luciano Cartaxo quando este, ao perceber que José Maranhão resistiria, demitiu os aliados do peemedebista da Prefeitura de João Pessoa, fechando com isso todas as janelas e destruindo todas as pontes existentes. Ratificado o quadro projetado há meses por Maranhão, Cássio e Cartaxo mudam novamente de discurso e voltam a pretender sua desistência, agora em apoio a Lucélio Cartaxo ou a Pedro Cunha Lima, isso quando já chegamos a abril e essas candidaturas ainda precisam ser construídas, ao passo que o nome de Maranhão, por razões óbvias, é muito mais conhecido e tem uma candidatura muito mais consolidada.

Por isso, a pergunta óbvia se impõe: por que o contrário não pode acontecer e Lucélio e Pedro − ou Luciano e Cássio − não apoiam José Maranhão? Notem que, como eu já escrevi, eu sempre considerei Luciano Cartaxo o candidato ao governo com maior viabilidade eleitoral e, por isso, fazia sentido pedir a desistência de José Maranhão para viabilizar a unidade em torno de uma só candidatura para enfrentar a candidatura de João Azevedo que, como se previu, é cada vez mais favorito. Mas, desistir em nome de um candidato cuja única credencial a ser apresentada ao eleitor é o sobrenome? Não faz o menor sentido.

A candidatura de Maranhão É um erro avaliar a candidatura de José Maranhão com os olhos unicamente voltados para João Pessoa. Mesmo na capital, Maranhão disputou uma eleição de prefeito em 2012 e chegou a um percentual próximo dos 20%, não muito distante do obtido naquela eleição em foi derrotado por Cícero Lucena (PSDB) e Estela Isabel (PSB) na disputa para ir ao segundo turno.

As pesquisas mostram que, quanto mais se interioriza, a candidatura do senador peemedebista ganha robustez, o que deve ser creditado não apenas ao nome mais conhecido de alguém que governou a Paraíba três vezes, mas pela associação às realizações desses governos. Não dá para deixar de mencionar que o único fator a depor contra a candidatura de Maranhão é a idade e sua longevidade política. A favor, as realizações dos seus governos, além da inquestionável honorabilidade, probidade, em um tempo em que, mais do que nunca, esses valores estão sob forte questionamento do eleitorado.

Além de uma visão de estado que ultrapassa os localismos e as visões de curto prazo. Para o bem e para o mal, Maranhão é, clara e definitivamente, um dos poucos remanescentes da velha-guarda, dos Brizolas, dos Arraes, sem ter tido, claro, a dimensão política e a importância históricas destes. Eu falo aqui em termos geracionais. Maranhão é um político dos anos 1950 e 1960 que sobreviveu a esses tempos onde a imagem, o sorriso fácil − e normalmente falso, − que serve apenas para esconder as verdadeiras ideias e práticas, normalmente dissimuladas pelo palavreado raso e, na maioria das vezes, inútil.

E querem que Maranhão desista para apoiar a negação política do que ele orgulhosamente sempre foi? Não seria o contrário? Sem candidatos viáveis, os partidos de oposição, hoje totalmente esfacelados e sem projeto claro de Paraíba – alguém aí já escutou ou leu uma única ideia? − os lançamentos às pressas das candidaturas de Lucélio Cartaxo e Pedro Cunha Lima apenas confirmam que o improviso é o que predomina. E ter uma candidatura como a de José Maranhão é um luxo que Cássio e Cartaxo não podem desprezar por razões óbvias. Mas, eu acredito que Maranhão não deve nutrir essa falsa expectativa.

Sobretudo porque, para ser o candidato único da oposição, o peemedebista depende da boa vontade de alguém que foi, por mais de 20 anos, seu principal adversário político e contra quem pelejou em seguidas disputas eleitorais. Deve-se a isso, por exemplo, o desprezo que Cássio Cunha Lima dedicou a José Maranhão em 2014, quando recusou a possibilidade de apoiá-lo para o Senado para receber em troca, nutrido não apenas pela soberba, mas pelo desprezo ao antigo adversário.

O que certamente acabou por ser a salvação do próprio Maranhão na eleição passada. Porque, caso contrário, ele não teria recebido o reconhecimento do povo paraibano, que o elegeu de maneira quase heroica para o Senado, depois de uma campanha que mais pareceu – pelos recursos, pela imagem − uma disputa entre Davi e Golias.

Não é por outro motivo que João Azevedo começa a se consolidar como um candidato não apenas viável. Azevedo é cada vez mais favorito a vencer em outubro, porque, além de contar com o apoio poderoso de Ricardo Coutinho, tem diante de si uma oposição que não demonstra ter confiança, predominando a expectativa, talvez até a certeza, de deslealdade entre aliados circunstanciais. Cartaxo tem motivos para confiar em Cássio?

Os acontecimentos recentes mostram que não. O povo paraibano às vezes sabe surpreender. E talvez seja nisso que Maranhão aposta. Maranhão tem razão em manter sua candidatura, porque ele nada tem a perder. Caso desista, aí sim. Nesse caso, ele estará dando início ao fim de sua carreira, demonstrando o que desejam seus adversários, e assim ratificando o que provavelmente tanto deplorou em sua longa vida política: o fato de não ter mais nada a oferecer à Paraíba.

ParabaJá