João Pessoa 21/06/2018 12:20Hs

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Pimentel diz que Aécio vai se arrepender de crítica ao PT

Pimentel reconhece “avanços” nos doze anos de governos do PSDB em MG

PIMENTELO governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), diz que o senador Aécio Neves (PSDB) “vai se arrepender” de ter afirmado que perdeu a eleição presidencial para “uma organização criminosa”.

“Em política a gente deve relevar um pouco o momento e tentar tomar distância e olhar de longe. Tenho certeza de que o senador Aécio Neves vai se arrepender desse tipo de declaração”, afirma Pimentel, em entrevista ao SBT.

“A última vez que me acusaram de ser participante de uma organização criminosa foi no tempo da ditadura militar. Certamente, os partidos políticos não são organizações criminosas. O nosso não é. O do senador também não é. Todos os partidos políticos brasileiros hoje estão sujeitos a algum tipo de avaliação negativa em função das denúncias surgidas com o processo da Petrobras. Todo mundo ali, de alguma forma, vai sair machucado”, declara.

Pimentel reconhece “avanços” nos doze anos de governos do PSDB no Estado, mas afirmou que “as políticas públicas que foram implementadas em Minas não obtiveram sucesso e não trouxeram melhorias significativas para a vida da população”.

Antigo aliados pontuais no Estado, Pimentel e Aécio mantiveram boa relação até o petista derrotar os tucanos na eleição mineira. “Minas não tem dono, não tem rei, não tem imperador. Soberano em Minas é o povo.”

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Luta armada, tortura e Lei da Anistia

Ex-preso político torturado pela ditadura militar de 1964, Pimentel diz que a luta armada “cumpriu, sim, um papel” para a redemocratização do Brasil. Ele se emocionou ao falar da tortura e dos companheiros que foram mortos pela ditadura.

“A gente cumpriu, sim, um papel. (…) A contribuição foi importante. Dar o exemplo de resistência, um exemplo de coragem que muitos companheiros deram e doaram suas vidas ao Brasil. Isso consolidou de alguma forma no povo brasileiro e na opinião pública a necessidade de uma mudança. Ela veio depois, felizmente, por meios pacíficos”, afirma Pimentel.

Pimentel se emociona ao falar da tortura que sofreu ao ser preso com 19 anos e de companheiros que morreram. Com voz pausada e olhos marejados, relata: ”Fiquei preso até aos 23 anos. Foi um período muito difícil, muito duro. Nos primeiros quinze dias, constantemente torturado com choques elétricos, espancamento, o que era usual na época para os presos políticos. Depois, ao longo desses três anos, eu tive também um período de pelo menos 9 meses de isolamento completo. Fiquei incomunicável, sozinho em uma cela sem livro, sem rádio, sem televisão, sem nada. Também foi um período duro. A gente não sai melhor nem pior do que ninguém. A gente sai, de fato, diferente. Você melhora em relação a si mesmo. Você conhece mais os seus limites. Você passa por uma experiência que eu não quero que ninguém passe por isso para amadurecer. É muito melhor amadurecer de outro jeito. Mas ali eu cresci, amadureci e, graças a Deus, sobrevivi. Muitos companheiros não tiveram essa sorte. Se me marcou, não ficou nenhum ressentimento. Não tenho ódio, não tenho raiva, não tenho ressentimento nenhum desse período. Neste momento, tenho uma lembrança muito viva daqueles que perderam a vida.”

Na avaliação do governador eleito de Minas, o relatório final da Comissão Nacional da Verdade “é o encontro do Brasil com a própria história”. ”Todos os países da América Latina que passaram por ditaduras militares, como foi o nosso caso, fizeram esse encontro. A Argentina fez, o Uruguai fez, a Guatamela fez, o Chile fez. E estava faltando isso.”

No entanto, o petista afirma que não vê “ambiente para a gente pedir uma revisão da lei da Anistia”. Ele considera “um caminho muito razoável” ações do Ministério Público que têm obtido algumas condenações argumentando que a ocultação de corpos de desaparecidos seria um crime permanente e passível de punição até hoje. Ou seja, a ocultação de cadáver não estaria coberta pelo perdão da Lei da Anistia de 1979.

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Lula e 2018

Pimentel diz que não pensa, neste momento, em eventual candidatura à Presidência da República. Mas faz uma ressalva: “Estou na vida pública, o que vai acontecer depois, o futuro vai dizer”.

A respeito de eventual candidatura do ex-presidente Lula em 2018, respondeu: “Se tem alguém com legitimidade para fazê-lo no Brasil é o Lula. Mas não sei se vai fazer.

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PINGUE-PONGUE

Redução da maioridade penal: “Sou contra”.

Criminalização da homofobia: “Sou a favor”.

Descriminalização do uso da maconha: “Tenho dúvidas. Não tenho certeza sobre a oportunidade disso. É uma ideia generosa, não sei se está na hora de fazê-la”.

Ampliação do direito ao aborto: “Na lei atual, já é suficientemente protegida essa questão”.

Getúlio Vargas: “Um grande líder. Eu diria que foi o maior estadista do século 20″.

Juscelino Kubitschek: “É um mineiro exemplar. Disputa com Getúlio essa posição. Como ele ficou menos tempo no governo da República, talvez tenha ficado em segundo lugar”.

Ditadura Militar de 1964: “Uma tragédia política para o Brasil. O Brasil soube superar esses 20 anos de regime militar. Encerramos esse período com chave de ouro com a divulgação do relatório da Comissão Nacional da Verdade”.

José Sarney: “Um grande brasileiro. Teve um papel fundamental na transição entre a ditadura e democracia. Devemos muito ao Sarney”.

Fernando Collor de Mello: “Infelicidade de ter sido eleito talvez em um momento em que não estava suficientemente preparado. Foi afastado. Mas é um homem público por quem tenho respeito. Não tenho reparos a fazer a ele”.

Itamar Franco: “Um grande homem público. Também tem um mérito enorme porque sucedeu ao Fernando Collor de Mello em um período difícil. Bancou a implantação do Plano Real. Devemos ao Itamar a implantação do Plano Real. Tenho também uma enorme admiração pelo ex-presidente Itamar”.

Fernando Henrique Cardoso: “Foi um presidente da República com méritos. Ele soube manter aquela trajetória de estabilização da nossa moeda. Agora, com todo respeito pelo ex-presidente e carinho também, acho que depois que saiu da Presidência, não desempenhou o papel de estadista que se esperava dele. Em muitos momentos, desceu da arquibancada e entrou em campo para jogar um jogo que não precisa. Quem é ex-presidente deve se manter um pouco afastado. Mas tenho também admiração pelo ex-presidente Fernando Henrique”.

Lula: “É o maior líder brasileiro dos anos recentes. O maior líder talvez dos últimos 100 ou 200 anos. Um grande líder internacional. Poucos países têm o privilégio de ter um personagem político e um homem público com o presidente Lula.

Dilma Rousseff: “Sou suspeito para falar, porque é minha amiga pessoal há mais de 40 anos. Foi minha companheira de militância e é presidente da República. Tenho imenso orgulho de ser da mesma geração da presidenta Dilma.

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