João Pessoa 25/09/2018 18:32Hs

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Shopping centers do Rio se transformam em ilhas de violência e medo para clientes

Shopping centers já foram vistos como oásis de segurança em meio à violência. Atualmente, porém, essa ideia mudou no Rio, com um número cada vez maior de ocorrências policiais. Um levantamento feito pelo EXTRA aponta que, desde janeiro, foram 11 situações em que homens armados invadiram estes centros comerciais para cometer crimes. A média é de um caso a cada dez dias.

Para tentar conter a audácia dos bandidos, a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) criou um comitê especial de segurança para compartilhar com os afiliados trabalhos de inteligência e táticas de combate à criminalidade. A entidade não detalha o conteúdo. “Em meio à crise de segurança estabelecida no Rio, os shopping centers têm adotado medidas que visam a garantir a integridade e o bem-estar de todos os frequentadores”, afirmou a Abrasce, por meio de nota.

O desafio é maior porque as ações criminosas já não visam apenas às lojas mais caras. Antes alvo principal das quadrilhas, as joalherias foram escolhidas pelos assaltantes em apenas quatro dos 11 casos analisados. Em três deles, os bandidos roubaram filiais da mesma rede de varejo; em outra, uma revendedora de eletrodomésticos. Até uma loja de materiais esportivos foi invadida por criminosos na última semana. Houve, ainda, dois roubos contra clientes em estacionamentos de centros comerciais.

— O crime muda constantemente. Por isso, precisamos estar atentos para adaptar nossos recursos e planos na direção da prevenção — diz Alexandre Judkiewicz, diretor nacional de Operações do Grupo GR, especializado em segurança patrimonial.

Preferência por áreas nobres

Os assaltantes preferem áreas mais nobres. Nos casos analisados, em três o crime ocorreu na Barra da Tijuca e em duas, na Grande Tijuca, além de um caso em Icaraí, bairro de classe média alta de Niterói.

Não por acaso, a ocorrência mais grave foi num centro comercial na orla da Zona Sul da capital, a 1,5 quilômetro do Pão de Açúcar. No dia 26 de março, o Botafogo Praia Shopping foi evacuado durante um assalto com tiroteio nos corredores, e um cliente feito refém durante a fuga dos criminosos, que tinham como alvo uma joalheria.

O Rio é o segundo estado com mais shoppings do Brasil, perdendo apenas para São Paulo. São 66, mais da metade na capital (39). Só de área destinada a lojas, são mais de 1,7 milhão de metros quadrados espalhados pelos shoppings do estado — pouco mais, por exemplo, do que o bairro do Maracanã. Dar conta da segurança de dimensões tão grandiosas é complexo, frisa Judkiewicz.

— A presença humana é imprescindível e fundamental. Outro ponto importante é o monitoramento dos riscos aos quais os estabelecimentos estão sujeitos — explica o especialista.

Dicas valiosas

Segure a bolsa!

Recomendação importante: não deixar bolsas e sacolas onde podem ser facilmente furtadas, como mesas e guichês, e privilegiar o pagamento com cartões, evitando carregar dinheiro. O Grupo GR aconselha a vítima a procurar imediatamente um segurança do shopping em caso de roubo.

Lojistas atentos

A dica anterior também vale para os lojistas, que devem comunicar movimentações suspeitas. É recomendável solicitar à equipe de segurança que dê instruções sobre como identificar sinais de risco iminente.

Tecnologia

Um sinal de alerta podem ser pessoas que ficam por um longo período na loja sem comprar. É indicado instalar câmeras e um dispositivo de acionamento rápido dos seguranças.

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