João Pessoa 23/04/2018 18:58Hs

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De volta ao passado: Engenho Olho D´agua aberto à visitas em Pilões

De volta ao passado: Engenho Olho D´agua aberto à visitas em Pilões

Engenho Olho dáguaUma oportunidade para conhecer de perto o Engenho Olho D´agua, um dos poucos ainda em plena atividade na produção de rapadura, é através da rota cultural Caminhos do Frio que está recebendo grupos a partir de 12 pessoas para visitação guiada.

Fundado em 1958, durante um ano de grande seca, o Engenho Olho D’água tem o aspecto arquitetônico dos engenhos antigos. E, apesar de possuir água encanada e energia elétrica, ainda usa, como combustível, o bagaço da cana e alguns tipos de lenha.

“Recebemos grupos agendados, onde irão conhecer a linha de produção de rapadura, mel e açúcar mascavo”, convida Fernanda Melo, uma das administradoras.

Para quem tiver interesse em aproveitar esta oportunidade, ao visitar a cidida de Pilões no próximo final de semana, as informações e agendamento podem ser feitos com Corinto Lira ou Fernanda Melo através do email engenho_olhodagua@hotmail.com, ou pelos telefones (83) 9983.8883/ 9664.0545/ 8690.6155/ 9306.3306.

O engenho foi construído pelo proprietário rural Corinto da Costa Lyra, já falecido. Administrado, hoje, por herdeiros, o engenho criou sua própria marca, inovou nos formatos e sabores da rapadura que fabrica e manteve o seu produto principal, a aguardente, que é bastante conhecida na região do Brejo.

Depois de chegar às mesas mais abastadas e se tornar mercadoria de exportação, a rapadura – atualmente o doce mais popular no Nordeste brasileiro -, agora adotou novos sabores, a fim de agradar consumidores de todas as nacionalidades. Um dos exemplos pioneiros nesta inovação, partiu do Engenho Olho D’água, em Pilões, no Brejo paraibano, a 148 Km da Capital, que fornece rapadura para três Estados do Brasil e, também, para atacadistas estrangeiros.

Rapadura para exportação

As rapaduras produzidas no Engenho Olho D’água não têm mais aquele formato de tabletes de 500 ou mil gramas. São fabricadas no formato de “pílulas” acondicionadas em embalagens plásticas ou de pequenos quadrados semelhantes a cocadas. Em qualquer um dos formatos, a rapadura de Pilões pode sair com o sabor tradicional de mel de engenho ou de coco e chocolate. “Esses dois últimos ingredientes foram acrescidos ao sabor da rapadura por exigência dos tempos e clientes modernos”, explica Corinto Lira, proprietário do engenho.

Para gostos mais refinados, existem as opções de rapaduras com sabor natural de castanha de caju e as versões em açúcar mascavo e mel de engenho, além da tradicional “batida”.

No interior da casa de purgar do engenho, a faina é uma constante. E tudo começa quando o mel é colocado para ferver. Depois de fervida, a garapa passa por quatro estágios de “purga”. Ao chegar ao ponto de rapadura, o mel já está fervendo há mais de cinco horas. O “ponto” é dado no quarto tacho. Daqui, o mel sai para os tachos de armazenamento e, de lá, para os moldes.

As rapaduras nas versões pílulas” ou “quadradinhos”, são vendidas em embalagens especiais nos supermercados ou adquiridas por colégios municipais e estaduais, como complementos da merenda escolar. As que saem agora são produtos de final de moagem. No auge da safra da cana-de-açúcar, o engenho mói cinco dias por semana, no período que se estende de setembro a fevereiro. Nesta época atual, o engenho só vira duas vezes por semana. Motivo: a cana perde sacarose e adquire muita água, por causa do excesso de chuvas. Quando opera a todo vapor, a produção calculada é de uma tonelada de rapadura/dia.

A produção do Engenho Olho D’água é vendida na Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Vez por outra surgem pequenas aquisições de exportadores atacadistas, que enviam amostras das rapaduras para a Europa e Estados Unidos. A administração do engenho, por outro lado, se prepara para fazer vendas diretas a clientes do exterior. Durante o verão, o engenho abre as portas para visitantes e pesquisadores.

Origem da rapadura – Fala-se que a rapadura teve origem na produção do açúcar mascavo, que chegou ao Brasil com os portugueses, no Século 16. Naquela época, a garapa da cana-de-açúcar depois de cozida era depositada num recipiente chamado pão de açúcar – uma espécie de cone de madeira, usado como móvel armazenador. Quando a garapa se cristalizava, fornecia uma massa com diversas tonalidades. Na camada inferior, acumulava-se a parte escura. Em cima se formava a porção clara do açúcar, na época considerada a mais nobre para a mesa dos colonizadores. O resíduo pardacento, por ironia o mais rico em nutrientes, era destinado à alimentação dos trabalhadores do eito – escravos e brancos feitores de engenhos.