João Pessoa 24/05/2018 08:17Hs

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Após eleição municipal, partidos dão a largada para escolha de candidatos em 2014

Com o fim das eleições municipais, marcadas pela ascensão ou fortalecimento de novos partidos em âmbito nacional, como o PSB e o PSD, os principais partidos do país começam a trabalhar com a sucessão presidencial no horizonte.

Diferentemente do que ocorreu nas últimas eleições para presidente, nas quais houve polarização restrita a PT e PSDB, para o pleito de 2014 existe a possibilidade da ascensão de novos atores para a disputa com o candidato do PT que, ao que tudo indica, será a presidente Dilma Rousseff.

PT tem dois nomes fortes

A presidente detém altos índices de aprovação e, ao demonstrar pouca tolerância com supostos episódios de corrupção envolvendo seus ministros, conseguiu atrair simpatia da parcela da população que desconfiava do PT por conta do mensalão.

Dilma aumentou também seu recall dentro do partido após sucumbir aos pedidos dos correligionários e participar diretamente das eleições municipais em cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Campinas e Salvador, mesmo a contragosto de figuras de outros partidos.

Com frequência, especula-se que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha o desejo retornar ao posto –o que ele até chegou a admitir, sem mencionar, contudo, que se candidataria já em 2014.

Lula ainda é, com folga, a principal referência do PT, sobretudo após a eleição de Fernando Haddad na capital paulista, uma vitória pessoal do ex-presidente, que bancou a candidatura do ex-ministro desde o início, enfrentando protestos dentro do PT.

Ainda assim, Lula descarta candidatar-se e insiste que Dilma será a candidata do partido em 2014, posição compartilhada pelo deputado estadual Rui Falcão (SP), presidente nacional do PT. ““É bom o partido ter mais de uma opção [para presidente]. Aliás, para presidente, o único partido que se quiser tem mais de um candidato é o PT, embora nossa candidatura em 2014 seja da presidente Dilma.”

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  • Arte/Folha

Falcão afirma que o objetivo do PT é consolidar a aliança com os partidos da base do governo federal, em especial o PSB, e buscar o apoio de outros partidos, como o PSD. “2013 vai ser um ano de muito diálogo com esses parceiros para vermos suas  pretensões, suas reivindicações por maior participação.”

“Nós apoiamos o PSD em Ribeirão Preto já no compromisso de que a Dárcy Vera [candidata eleita] estará no palanque da presidenta Dilma em 2014. Quanto mais amplas puderem ser as alianças, dentro do programa que a gente defende, dentro do projeto que vem sendo construído, melhor. Se o PSD todo vier, será muito bem-vindo”, disse o petista.

PSB, de Eduardo Campos, sai fortalecido

O nome mais especulado para enfrentar o candidato petista à Presidência, ao lado do tucano Aécio Neves, é do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, principal figura do PSB, sigla que vem crescendo nas últimas eleições.

Publicamente, ele nega a candidatura e afirma que se manterá ao lado de Dilma. Ao mesmo tempo, mantém conversas com os tucanos e não descarta uma aproximação com o PSDB.

A exemplo do que ocorreu em 2010, quando o PSB elegeu cinco governadores –três no Nordeste– os socialistas novamente saíram fortalecidos nas eleições municipais. O número de cidades governadas pelo partido subiu de 310 para 442. A legenda governará seis capitais, o maior número entre todas as siglas.

De quebra, o PSB saiu vitorioso em disputas diretas contra o PT em Belo Horizonte, Recife,Fortaleza e Campinas. Nas duas capitais nordestinas, os socialistas quebraram a hegemonia de anos dos petistas. Tudo isso, entretanto, é pouco para cacifar Campos para a disputa de 2014, na opinião da deputada federal Luiza Erundina (PSB).

“Ele é uma liderança muito interessante, com muita habilidade e articulação política e um potencial enorme, talvez não para 2014. Ele precisa se fortalecer no Sudeste. Nenhum partido ou liderança política pode se lançar à Presidência da República se não for forte no Sudeste. Ele [Campos] não é forte em São Paulo, nem no Rio. Só no Nordeste”, diz a parlamentar.

Para Carlos Melo, cientista político do Insper, a força de Campos deve ser relativizada, sobretudo porque ainda se restringe ao Nordeste, e reflete a “torcida” de setores da oposição para que o socialista seja vice de Aécio em 2014.

“Por que Eduardo Campos trocaria 2018 por 2022. Se Aécio eventualmente for eleito Presidente da República, seria candidato à reeleição em 2018. E, portanto, Eduardo Campos só estaria no ponto em 2022”, afirma Melo.

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PSDB tem discurso unânime

Do lado tucano, o discurso é unânime: é necessário se aproximar de partidos que compõem a base do governo Dilma, em especial, é claro, o PSB, se o partido quiser lograr em 2014. Ninguém no PSDB, entretanto, cogita o partido compor com Campos na condição de vice.

Para o deputado federal Bruno Araujo, líder do PSDB na Câmara, Aécio é o nome da vez da oposição para 2014. “Aécio sintetiza a liderança que as oposições querem ver, não só dentro do PSDB, mas dos partidos parceiros, como DEM e PPS. Ele representa uma fonte de aglutinação muito grande e traz uma mensagem nova.”

Em público, o senador mineiro evita antecipar algo sobre 2014. “Está tudo no tempo adequado, e no amanhecer de 2014, aí sim, é o momento do PSDB apresentar o nome”, afirma. Para Aécio, o PSDB se manteve como a principal força alternativa ao PT.

“Nos consolidamos como a força alternativa ao que está aí”, diz. “É preciso que o cidadão comum diference o modelo que o PSDB proporá para o país desse que está em curso hoje. Essa deve ser nossa prioridade. A candidatura deve surgir no momento em que esse discurso esteja consolidado. Se nós não fizermos isso, aí sim estaremos fadados a um novo fracasso.”

Corre por fora no PSDB o nome de Geraldo Alckmin, que, após a derrota de José Serra para Haddad, se consolidou como a principal referência tucana no Estado de São Paulo. Tudo indica, entretanto, que Alckmin busque a reeleição em 2014.

RAIO-X: PMDB AINDA DETÉM MAIOR NÚMERO DE PREFEITURAS

PMDB dificilmente lançará candidato próprio

O PMDB teve um desempenho desfavorável nas eleições municipais. Perdeu em número de municípios governados –de 1.201 para 1.024– e de capitais –de seis para duas. Ainda assim, é o partido que governa o maior número de cidades.

Principal aliado dos petistas, dificilmente o PMDB lançará candidato próprio em 2014. Mas, caso as crises corriqueiras com o PT se agravem e resultem em um improvável rompimento entre as siglas, as principais opções dos pemedebistas são o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e o vice-presidente, Michel Temer.

A imagem de Cabral está desgastada após ele aparecer em fotos ao lado do ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish, envolvido no caso Cachoeira. O governador, contudo, ainda goza de alta popularidade entre a população fluminense.

Já Temer é o principal responsável pela relativa unidade interna conquistada pela PMDB nos últimos anos e é a grande figura nacional da sigla.

PSD e Marina Silva

Criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o PSD não deve lançar candidato próprio à presidência. O partido, entretanto, pode decidir por uma candidatura própria para se fortalecer nacionalmente e consolidar o crescimento obtido nas eleições municipais, as primeiras que disputou.

Fundada há pouco mais de um ano, a sigla terá 497 prefeituras a partir de 2013, atrás apenas de PMDB, PSDB e PT.

Outra candidatura que pode aparecer na disputa de 2014 é Marina Silva, que surpreendeu nas eleições presidenciais de 2010 e obteve mais de 19 milhões de votos. A ex-ministra do Meio Ambiente, entretanto, se desligou do PV em 2011 e ainda está sem partido.

Uol Notícias