João Pessoa 18/06/2018 13:41Hs

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Cerca de 100 crianças cardiopatas foram submetidas a cirurgias em apenas um ano na Paraíba

A Rede de Cardiologia Pediátrica da Paraíba (RCP) foi responsável pela realização de cerca de cem cirurgias em crianças cardiopatas na Paraíba em apenas um ano. Esse resultado foi apresentado durante uma reunião que aconteceu onte com com os profissionais de saúde e representantes dos serviços que integram a rede. O evento aconteceu no auditório da Empresa Paraibana de Turismo (PBTur), onde o coordenador rede de maternidades para o diagnóstico precoce da cardiopatia na Paraíba, Cláudio Teixeira Régis, apresentou os resultados obtidos desde o funcionamento da RCP.

Desde a assinatura do convênio que possibilitou a Rede de Cardiologia Pediátrica da Paraíba (RCP) e o Círculo do Coração de Pernambuco (CirCor-PE), no dia 17 de outubro do ano passado, mais de 15 mil crianças foram avaliadas. Também foram realizados mais de 300 ecocardiogramas e mais de 250 cardiopatias foram identificadas em neonatos. Além disso, a rede realizou mais de mil  consultas e exames e cerca de 100 cirurgias em crianças com doenças cardíacas, beneficiando nove municípios paraibanos.

Cláudio Teixeira Régis apresentou o panorama encontrado pelos profissionais envolvidos no projeto antes de sua implantação. “Do total de mulheres que engravidam na Paraíba, 22% estão na faixa etária entre 14 e 19 anos, ou seja, passam pela gravidez na adolescência. Aproximadamente, 53% das mães que realizam pré-natal, vão a menos de 7 consultas, que é o número recomendado.  Além disso, não existia no estado um serviço público de referência em cardiologia pediátrica. Tais problemas eram agravantes no diagnóstico e tratamento das crianças com cardiopatias congênitas na Paraíba”, explicou.

A partir da percepção destes problemas, foi pensada uma estrutura para a implantação da Rede de Cardiologia Pediátrica da Paraíba (RCP), não só com a aquisição de equipamentos para a realização de exames de oximetria e ecofuncional, fundamentais para o diagnóstico precoce de cardiopatias congênitas em recém-nascidos, como a capacitação de mais de 80 profissionais, entre enfermeiros, neonatologistas e pediatras. “Atualmente, a rede conta com 20 coordenadores que fazem a ponte Paraíba/Pernambuco via videoconferênacia e também de forma presencial, não só com auxílio na triagem e no monitoramento de pacientes, como também na realização das cirurgias e capacitação dos profissionais envolvidos”.

A secretária executiva de Estado da Saúde, Cláudia Veras, disse que o seminário celebra e presta conta à sociedade dos resultados obtidos em um ano de convênio firmado entre Governo do Estado da Paraíba, através da SES, e o CirCor-PE, para o diagnóstico e tratamento das crianças cardiopatas paraibanas.

“O convênio assinado há um ano, assim como a criação da rede que hoje envolve e interliga 12 maternidades em todo estado, foi um avanço importante para a Paraíba. Conhecíamos a dificuldade que a Paraíba enfrentava para o tratamento de nossas crianças e depois de um árduo caminho conseguimos implantar não só um projeto, mas uma política  de governo com um olhar voltado para a rede de cardiologia. Hoje, além de apresentar e avaliar os bons resultados obtidos, partiremos para novas metas, inclusive no que se diz respeito à expansão de atendimento, deixando de restringir-se ao neonatal, passando também para o atendimento pediátrico”, explicou a Secretária Executiva de Saúde.

Depoimentos – Entre as cirurgias realizadas, está a de Rashid de Freitas, diagnosticado aos 9 meses com uma cardiopatia congênita. Segundo a mãe da criança, Cristiane Viera, Rashid apresentava alguns sintomas que a fizeram procurar auxílio médico. “Ele teve algumas crises convulsivas, e além disse estava sempre muito cansado e doente. Fui ao Hospital Arlinda Marques e obtive um excelente tratamento de todos os profissionais, desde as pediatras até as técnicas em enfermagem que eu passei a chamar de anjinhas azuis. Rashid foi internado no dia 23 de novembro. A cirurgia foi um sucesso e mesmo quando passou alguns dias na UTI,recebeu todo o tratamento adequado. No dia 16 de dezembro, meu filho deixou o hospital e hoje passa apenas por consultas de acompanhamento. É uma outra criança. Pula e brinca como qualquer outra, cheio de energia; e eu só tenho a agradecer a todos que fazem parte desta rede”, declarou.

A rede – Além do HU da Capital, a rede é formada por 12 maternidades estruturadas para realizar o diagnóstico da cardiopatia e tem três serviços de referência: Cândida Vargas, em João Pessoa, o Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (Isea), em Campina Grande, e o Hospital Peregrino de Carvalho, em Patos.

Na Capital estão interligadas à rede as maternidades Frei Damião, Arlinda Marques e Hospital da Polícia Militar General Edson Ramalho. Na região de Campina Grande, estão ligadas as maternidades das cidades de Esperança, Monteiro e Picuí. E na área de Patos, estão interligadas as maternidades dos municípios de Itaporanga, Sousa e Cajazeiras.

Os médicos que participam da Rede de Cardiologia da Paraíba realizam uma triagem por meio do exame de oximetria em todos os recém-nascidos em até 24 horas após o nascimento. Trata-se de um exame que mede a saturação de oxigênio no sangue. Nos casos em que é detectada alguma anormalidade, os bebês são encaminhados para realizar exames mais aprofundados, como o ecofuncional.

Tecnologia – Como forma de proporcionar uma melhor integração entre os médicos e as Centrais instaladas no Hospital Arlinda Marques e a Associação Círculo do Coração,  agilizando o diagnóstico e possibilitando a discussão de casos através de teleconferências, o Governo do Estado fez a entrega Ipads para as 12 maternidades. Os equipamentos estão agilizando o diagnóstico e o atendimento aos bebês que nascerem com doença cardíaca.

Cláudio Teixeira Régis explicou  essa estrutura de internet  interliga todos os hospitais e maternidades. “A intenção é que os médicos possam se qualificar tirar dúvidas, trocar experiências, dialogar sobre os casos, realizar de maneira rápida o diagnóstico da doença e planejar melhor as cirurgias cardíacas infantis”, finalizou.

Redação com Secom-PB