João Pessoa 27/05/2018 17:47Hs

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Justiça Federal na Paraíba ouve testemunhas da “Operação Lactose”

A juíza Cristina Garcez, titular da 3ª Vara da Justiça Federal na Paraíba, iniciou nesta segunda-feira (8) uma série de audiências de inquirição das testemunhas arroladas pelo Ministério Público Federal e de defesa dos acusados da Operação Lactose, desencadeada em 2007 e com prisões em 2008, inclusive na Paraíba, por fraudes na produção e comercialização de leite integral de algumas marcas do produto. As audiências acontecerão até o próximo dia 15, nos dois turnos, quando serão ouvidas cerca de 30 testemunhas.

A operação denunciada pelo MPF na Paraíba, através da Ação Penal de nº 0007768-92.2007.4.05.8200, consta de 3 pontos principais: a compra e introdução de 50% de soro (produto com baixa proteína) em 50% de leite integral; para dissimular, a compra do soro era diluída entre as diversas empresas do grupo, ou seja, enviavam o soro como se fosse leite integral para as empresas envolvidas e, ainda, contavam com a fiscalização fraudulenta de servidores públicos do Ministério da Agricultura, que recebiam propina para, na hora dos testes, trocar as amostras adulteradas por produto de boa qualidade.

As empresas acusadas são: Big Leite, Milkly, Sanita, Avesul e Culau Alimentos. Entre os crimes investigados na ação penal estão: recipiente com falsa indicação, crimes contra a incolumidade pública, falsidade ideológica, crimes contra a fé pública, uso de documento falso, corrupção passiva, crimes praticados por funcionários públicos contra a Administração em geral, violação do sigilo funcional, crimes contra a ordem tributária e contra as relações de consumo.

Os acusados são: Carlos Batista Culau, José Carlos Escorel Polimeni, Evandro Soares dos Reis, Urbano José Araújo Dantas, Noeli Joris, Cristina Malvessi, Augusto Osmundo Reis Filho, Thiago Alcântara de Lima, Maria de Fátima Xavier de Morais, Luiz Iuki, Sheila Mileni Felício Felix, Terezinha Carvalho Fernandes, Aurivan Grisi da Cunha Lima e José Ferreira de Barros Júnior.

Segundo os autos, o Ministério Público Federal e a defesa arrolaram mais de duas centenas de testemunhas, “sendo que, apenas nesta Capital, há previsão de colheita de mais de três dezenas de depoimentos. O grande número de testemunhas, aliado ao fato de que muitas serão inquiridas através de cartas precatórias, inviabiliza a realização da audiência una, conforme preconizado no Código de Processo Penal”. Por esses motivos, a juíza federal Cristina Garcez desmembrou as audiências de instrução e julgamento em 5 dias.

Foram expedidas cartas precatórias, para a inquirição das testemunhas residentes em outros municípios e/ou estados.

Entenda o caso – Em 2008, a Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão em empresas de Santa Catarina e nos estados da Paraíba, Pernambuco, Bahia e Ceará. As empresas Culau Alimentos e Sanita, de Chapecó, e a Avesul, de Guatambu, foram acusadas de fornecer notas fiscais frias para a empresa Big Leite, da Paraíba. Ela comprava o leite a granel em grandes quantidades para empacotá-lo em volumes menores para revenda no varejo. Durante o empacotamento em volumes menores, substituía 50% do leite em pó integral por soro.

Para encobrir a adulteração do produto, a empresa Big Leite recebia notas fiscais frias das empresas Avesul e Sanita, em Santa Catarina; Milky, na Bahia, e Via Láctea, no Estado do Ceará. Funcionários do laboratório oficial do Ministério da Agricultura em Pernambuco (Lanagro) eram corrompidos para trocar as amostras colhidas pela fiscalização na empresa Big Leite, ou nos produtos dessa empresa no mercado varejista, por material de boa qualidade.

Ascom/JFPB