João Pessoa 21/07/2018 23:06Hs

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Oscar Niemeyer morre aos 104 anos no Rio de Janeiro

O arquiteto Oscar Niemeyer, de 104 anos, morreu nesta quinta-feira (5). Ele estava internado desde de novembro no Hospital Samaritano, em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro. O arquiteto completaria 105 anos no dia 15 de dezembro. Segundo o médico, Fernando Gjorup, a causa da morte foi insuficência respiratória.

O velório será realizado em Brasília, no Palácio do Planalto, prédio projetado pelo próprio arquiteto. A informação foi confirmada pela assessoria da Presidência da República. O convite partiu da presidente Dilma Rousseff, que telefonou para oferecer o espaço para a família de Niemeyer.

Na manhã desta quinta, Niemeyer sofreu uma parada cardíaca e sua respiração passou a ser mantida por aparelhos. Um boletim médico informou que seu estado de saúde era grave. Ele estava sedado após uma infecção respiratória.

O arquiteto começou a apresentar alguns problemas de saúde nos últimos anos. Ele estava internado desde o dia 2 de de novembro, quando apresentou problemas renais e digestivos, a terceira internação do arquiteto em 2012.

Em maio, Niemeyer chegou a ser internado e ficou 16 dias no mesmo hospital para tratar de uma pneumonia e de uma desidratação. Em 2011, ele também esteve internado no Samaritano por conta de uma infecção urinária.

Sua história

Considerado o maior arquiteto moderno do País, Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho nasceu em 15 de dezembro de 1907, no Rio de Janeiro. Casou-se com Annita Baldo, aos 21 anos, com quem teve sua única filha, Anna Maria Niemeyer, que deu a ele cinco netos, treze bisnetos e quatro trinetos. Ele se formou arquiteto e engenheiro na Escola Nacional de Belas Artes, em 1934, e desde o início da carreira, não gostava da arquitetura comercial racionalista praticada na época. Explorador das possibilidades que o concreto armado permitia, iniciou a carreira no escritório de Lúcio Costa, onde buscava liberdade para criar.

Após participar de diversos projetos, Niemeyer teve, em 1937, a oportunidade de fazer o primeiro trabalho individual: a Obra do Berço, no bairro da Lagoa, Rio de Janeiro. Ele era admirador das linhas curvas e dos espaços circulares e arejados: “Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país”, declarou.

Suas convicções políticas sempre marcaram suas obras. Filiado ao Partido Comunista Brasileiro na década de 40, teve contato próximo com Luís Carlos Prestes e chegou a se autoexilar na França durante a ditadura militar no Brasil.

Na década de 40, conheceu Juscelino Kubitschek, então prefeito de Belo Horizonte, que encomendou prédios para a capital mineira. Alguns anos depois, o arquiteto não pôde lecionar em Yale por causa de sua posição política, mas, já com fama internacional, foi incluído na equipe que projetaria a Sede das Nações Unidas, em Nova York. Em São Paulo, projetou grandes obras como o Parque do Ibirapuera e o Edifício Copan, e no Rio de Janeiro, construiu sua casa, que chamou de Casa das Canoas.

O convite para o projeto que marcaria sua carreira veio no final dos anos 50: a construção de Brasília. Niemeyer projetou para a cidade o Palácio da Alvorada, o Edifício do Congresso Nacional, a Catedral de Brasília, além dos prédios dos ministérios e do Palácio do Planalto. Marcada por críticas, a construção da cidade teve inspiração socialista e deu grande importância aos automóveis.

Em 1965, o arquiteto pediu demissão da Universidade de Brasília e se mudou para Paris. Na França, projetou a sede do Partido Comunista Francês. Três anos mais tarde, foi a vez do Mondadori, em Milão, na Itália, e a Mesquita de Argel, na Argélia. Continuou fazendo trabalhos para diversas partes do mundo e retornou ao Brasil no início da abertura polítca, nos anos 80. Entre as obras que fez no Brasil ao retornar, estão o Terminal Rodoviário de Londrina, o Memorial da América Latina e o Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Após ficar viúvo em 2004, Niemeyer se casou em 2006 com sua secretária, Vera Lúcia Cabreira, de 60 anos.

O arquiteto foi homenageado com diversos prêmios ao longo de sua carreira, como o Prêmio Lênin da Paz, do Governo da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, em 1963, e o Prêmio Pritzker de Arquitetura, dos Estados Unidos, em 1988. Em 1995, recebeu o Título de Doutor Honoris Causa da Universidade de São Paulo e, em 2001, o Título de Arquiteto do Século XX, do Conselho Superior do Instituto de Arquitetos do Brasil.

Oscar Niemeyer também inspirou o documentário “A vida é um sopro”, baseado em sua trajetória e lançado em 2007. O filme tem depoimentos de personalidades como os escritores José Saramago, Eduardo Galeano e Carlos Heitor Cony, o poeta Ferreira Gullar, o historiador Eric Hobsbawn, o cineasta Nelson Pereira dos Santos, o ex-presidente de Portugal Mário Soares e o compositor Chico Buarque.

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