João Pessoa 23/07/2018 02:00Hs

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Tatuagem em olheira e estria: técnica estética disfarça manchas

O método de micropigmentação usa uma tinta de durabilidade menor e pode ser usado em casos diversos

Fazer desenhos no corpo é a paixão de muita gente que adora tatuagem. Mas já pensou se a técnica pudesse ser utilizada para cobrir estrias ou disfarçar aquelas olheiras que você não gosta? Pois bem, para a alegria geral da nação, isso é possível. E já chegou em Salvador.

Foto: Renato Santana/Divulgação

(Foto: Renato Santana/Divulgação)

É exatamente esse trabalho que faz Aristenes Neto (71 9800-9696), do Studio Tattoo Art (@studiotattooarte). “Já camuflei uma mão com vitiligo. O rapaz me mandou mensagem dizendo que a vida dele mudou, fiquei muito feliz”, relatou. Quem também optou pelo procedimento definitivo foi Leonardo Santiago.

Tinha estrias nos ombros e camuflar isso era essencial pra mim. Não gostava de expor aquela parte do meu corpo, diz o personal trainer Leonardo Santiago.

Vaidoso, ex-fisiculturista e personal trainer, o rapaz de 35 anos sempre amou seu corpo. Tudo era exibido por ele, exceto uma parte: o ombro. O motivo? Uma estria branca que contrastava com sua pele negra de um jeito que não o agradava. Quando  soube da existência da camuflagem de estrias, uma das técnicas mais famosas da micropigmentação, não pensou duas vezes.

“Isso pra mim era essencial, porque eu não gostava de expor aquela parte do meu corpo”. O resultado, segundo ele, foi fantástico e realmente prova que o negócio funciona. “Estou bastante satisfeito, me sinto à vontade para usar qualquer tipo de camisa sem que as pessoas fiquem me perguntando o que foi aquilo”, garantiu.

Por envolver agulhas, muita gente acha que os procedimentos doem. A agente de viagens Carol Peixinho, 33, que também fez camuflagem de estrias, jura que não. “É super-rápido. No máximo um incômodo”, assegurou.

Agulhas Mágicas
Se a tatuagem estética fosse uma religião, certamente Rodolpho Torres (@rodolphotatuador) seria uma espécie de Deus. Com quase 1,5 milhão de seguidores no Instagram e dez anos de carreira, saiu da cabeça dele o método Agulhas Mágicas – que basicamente é uma técnica exclusiva de camuflagem de estrias e olheiras, aclamada por celebridades como Viviane Araújo e Gretchen. O procedimento levou Rodolpho a dar entrevista até para o jornal estadunidense Independent.

Foto: Renato Santana/Divulgação

Única pupila do paulista na Bahia, a cosmetóloga Java Ribeiro (@javaribeiro) tem quase 12 mil seguidores no Instagram e dois assistentes para dar conta dos cerca de seis atendimentos diários, que precisam ser marcados com pelo menos 15 dias de antecedência.

Ela conta que já rodou o Brasil fazendo cursos, porém foi em São Paulo que tudo mudou. Lá conheceu Rodolpho e fez parte do seu seleto grupo de alunas – foram apenas duas turmas.

Não é bem tatuagem
São técnicas parecidas, mas não são iguais. No caso da micropigmentação, o pigmento é mais leve

Para Java, lidar com estética vai muito além da beleza física. É cuidar da autoestima do outro. “Eu sempre tive uma visão holística do mundo e isso facilita muito. O que me motiva é ver a paciente sorrindo e vivendo a vida dela. Ler depoimentos em relação a isso me motiva”, explica Java, que cobra entre R$ 500 e R$ 4 mil por procedimento. O valor exato depende de avaliação prévia e da técnica escolhida.

Ela explica que a camuflagem pode ser utilizada para estrias, vitiligo e olheiras. Já a micropigmentação vai para os lábios e a reconstrução da mama. Apesar disso, Java confessa que adapta os preços para tornar o procedimento acessível, já que muitas pessoas não têm condições de pagar o valor integral.

O ator Thammy Miranda fazendo o procedimento com Rodolpho Torres: um dos famosos que aderiram ao método (Reprodução/Instagram)

Para quem quiser disfarçar a calvície, tem a micropigmentação capilar, que reproduz os fios de cabelo e deixa um aspecto visual de mais volume. Especialista na técnica, a esteticista Elis Regina conta que o negócio faz sucesso na ala masculina. “Atendo homens do Brasil inteiro e até de outros países. Eles estão cada vez mais vaidosos”, comenta.

É seguro?
Lia (nome fictício), que tinha acabado de fazer mamoplastia redutora, recorreu à técnica para camuflar a cicatriz. O resultado passou longe do esperado. “Achei a cor escura, mas a esteticista disse que ficaria do tom da minha pele depois de cicatrizar”, relatou. Cinco meses depois, Mariana continuou incomodada. “Ficou escuro, muito marcado, parece uma mancha”, lamentou.

Foto: Renato Santana/Divulgação

Para a dermatologista Iara Lemos, da clínica San Lazzaro, é preciso ter atenção. “Pigmentação não é tratamento, não é capaz nem de melhorar a textura de pele. Apenas camufla um problema com tinta”, assegurou. Segundo ela, disfarçar as olheiras é o mais arriscado. “O resultado pode ser desastroso, inclusive porque a causa das olheiras é multifatorial. Nossa pele muda de cor ao longo do dia”, garante. Quem quiser arriscar, deve buscar profissionais qualificados e se cuidar. “Evitar exposição solar, não arrancar crostas e utilizar cremes cicatrizantes é essencial”, destaca.

*Com orientação do editor Victor Villarpando

Correio da Bahia