João Pessoa 20/04/2019

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2019 já é um ano perdido para a economia, diz Mendonça de Barros

Para o economista, se a economia fiscal da reforma em dez anos for reduzida de cerca de R$ 1 tri para menos de R$ 500 bi, o Brasil não volta a crescer

O ano de 2019 está perdido para a economia, na avaliação de José Roberto Mendonça de Barros, fundador da MB Associados. “O custo já está pago, infelizmente. Agentes econômicos já estão revendo para baixo o avanço do PIB deste e dos próximos anos, o mercado de trabalho não deve melhorar e as empresas vão continuar tendo dificuldades com isso”, disse economista em debate no Fórum VEJA EXAME 100 dias de governo, nesta segunda-feira, 15.

Um sinal importante de que a avaliação de Mendonça de Barros vai no caminho certo é a publicação do IBC-BR, visto como uma prévia do PIB, feita hoje. O índice apresentou recuo de 0,73% em fevereiro na comparação com o mês anterior, segundo o Banco Central. O resultado mensal foi o segundo negativo após recuo de 0,31% em janeiro. E é também a pior leitura para o indicador desde a queda de 3,1% vista em maio de 2018.

O boletim Focus também reduziu sua expectativa para o PIB nesta segunda-feira pela sétima vez consecutiva, de 1,97% para 1,95% este ano

Para Mendonça de Barros, se a economia fiscal da reforma em dez anos for reduzida de cerca de 1 trilhão de reais para menos de 500 bilhões de reais, o Brasil não volta a crescer. Se ficar em algo em torno de 800 bilhões de reais, “não é o ideal, mas o país pode crescer 3% em 2020, impulsionado por investimentos”. Para ele, a reforma é boa, a equipe econômica é boa, o trabalho do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, é positivo, mas nada disso será suficiente para acelerar a tramitação do projeto, que “vai levar o ano inteiro para ser aprovada no Congresso”.

O problema que começou a aparecer, segundo o economista, é que o presidente esfria um pouco a forma como a reforma está sendo apresentada. “Primeiro, disse que preferia não fazer a reforma, agora, a regra para aposentadoria rural e o BPC já estão fora antes de começar a tramitação praticamente. Isso é um problema. Acaba com o discurso de que todo mundo vai ter sacrifício”, afirma Barros.

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