24h de caos no trânsito de João Pessoa: Incra marca reunião com manifestantes do MST

O protesto do Movimento Sem Terra completa mais de 24 horas, provocando bloqueio e caos no trânsito de João Pessoa. As duas pistas da avenida Epitácio Pessoa estão interditadas – refletindo em congestionamentos em todas as principais artérias da Capital.

A manifestação também se estende a divisa da Paraíba com Pernambuco, nas proximidades de Goiana. Lá, os integrantes do MST fazem bloqueio humano e queimam pneus na pista.

Os protestos fazem parte do calendário previsto na Jornada Nacional de Lutas de Outubro.

Iniciada nesta segunda-feira (16), com mobilizações em nove estados e no Distrito Federal, a Jornada se amplia e já atinge 16 unidades da federação. São mais de 15 mil trabalhadores realizando ações em todo país.

Em João Pessoa, os manifestantes ocupam a sede do Ministério da Fazenda, na Epitácio Pessoa,  e a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no bairro dos Estados.

Trégua à vista?

Uma reunião para negociação entre os manifestantes e um representante do Incra na Paraíba está agendada para as 15h desta quarta-feira (18). A expectativa é que hoje também aconteça uma reunião com um ministro, em Brasília, para tratar do tema.

Ao lado de outros movimentos do campo, o MST pretende cobrar do governo federal verbas congeladas que seriam destinadas à reforma agrária. Parte da Av. Epitácio Pessoa foi bloqueada pelos manifestantes, que a liberam frequentemente para passagem de veículos no sentido praia-centro.

Foram ocupadas sedes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) nas seguintes localidades: Fortaleza, João Pessoa, Recife, Petrolina-PE, Maceió, Salvador, Ponto Novo-BA, Aracaju, Palmas, São Luís, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, São Paulo e Belo Horizonte.

Também foram ocupados latifúndios improdutivos, confrontando o atual modelo agrícola e defendendo a produção de alimentos saudáveis. No Mato Grosso, foram duas fazendas, uma em Cáceres (220 km de Cuiabá) e outra em Dom Aquino (150 km de Cuiabá). Em Goiás, foi ocupada a fazenda Rasgão, em Cocalzinho, com aproximadamente 2 mil hectares. Já no Norte baiano, foi ocupada a sede do Sítio Barreiras, em Ponto Novo.

Além das ações nos estados, na manhã desta terça-feira também foi ocupado o Ministério do Planejamento em Brasília, para pressionar o governo federal a marcar uma audiência. Unidades do Ministério da Fazenda foram ocupadas ainda em Maceió e João Pessoa. Os militantes advertem que não vão desocupar nenhum órgão enquanto o governo federal não os receber.

Orçamento mutilado

Com o anúncio da lei orçamentária de 2018, o campo sente pela primeira vez o forte impacto da Emenda Constitucional 95, que congelou os gastos públicos por 20 anos. Políticas de diversas áreas ligadas ou não ao Incra sofreram bruscos cortes ou interrupções, numa proporção de ¼ da execução orçamentária de 2017, ou menos de 10% do que foi destinado a estas mesmas políticas em 2015.

“Estamos mais uma vez em luta dizendo para esse governo que queremos que nossa pauta seja atendida. Estamos pedindo o descontingenciamento do orçamento de 2017 e que o orçamento de 2018 atenda toda nossa demanda: obtenção de terras, desenvolvimento, créditos em todos os níveis e que sejam assentadas todas as famílias Sem Terra do país”, salienta Marina Ricardo Nunes, da Direção Nacional do MST.

Para Marina, a Jornada está intimamente ligada a conjuntura de resistência ao Golpe, com forte destaque para o combate à Reforma da Previdência, que impactaria de forma catastrófica o campo brasileiro.
“Esse governo ilegítimo precisa saber que nós, as famílias Sem Terra acampadas e assentadas, não vamos nos calar diante da retirada de direitos que particularmente os povos do campo, mas toda a classe trabalhadora, estamos sofrendo neste momento”, conclui.

Redação com Assessoria