‘A gente não tem mais chão’, diz cunhado de sargento do Bope morto em favela do Rio

policial morto rioA família do sargento do Batalhão de Operações Especiais (Bope) André Luiz Vaz Nonato, de 40 anos, ainda não consegue acreditar na morte violenta do PM, ocorrida na noite desta quinta-feira, durante uma ação no Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio. Cunhado dele, André Souza conversou com o EXTRA e classificou o episódio como “lamentável”.

– Só tenho a dizer que isso destruiu a família. Infelizmente foi um trabalho que ele exercia… A gente não tem mais chão. A verdade é essa – disse ele.

Segundo André, o sargento tinha uma filha de 5 anos. A mãe, Andressa de Souza Nonato, já contou para ela sobre a morte do pai.
– Mas ela não consegue entender ainda. Não assimilou o que aconteceu – contou.

– Era um cara amigo, parceiro. Faltam palavras para descrever. É um momento em que estamos sentindo uma dor imensa. O coração está dilacerado.

Segundo colegas de farda, o sargento estava fazendo faculdade de Engenharia e pretendia deixar a corporação quando se formasse.

– Ele queria deixar essa profissão violenta – contou um policial do Bope, sem se identificar.
O sargento L. Vaz será enterrado às 16h45m desta sexta, no Cemitério de Xerém, município da Baixada Fluminense onde morava. O velório

“Sei que a unidade irá vencer mais esta dificuldade, vamos manter todos a cabeça erguida, pois com certeza Deus tem algo muito maior para cada um de nós. Até breve! FORÇA E HONRA!”, diz um trecho.
O sargento L. Vaz levou um tiro quando estava numa Kombi branca, descaracterizada, com outros colegas de farda. O veículo foi atacado por traficantes na Rua Barão de Gamboa, acesso à Providência. Os PMs faziam um levantamento na região. Nas redes sociais, o disfarce usado por eles está sendo chamado de “Cavalo de Troia”. Outros dois policiais do Bope ficaram feridos e foram levados para o Hospital Central da PM, no Estácio, na Zona Norte da cidade. Eles não correm risco.

Após esse primeiro confronto, três suspeitos foram encontrados mortos e três pistolas foram apreendidas. Logo em seguida, PMs passaram a ser alvo de disparos em vários pontos da Providência. No alto da comunidade, houve confronto com cinco suspeitos. Após o tiroteio cessar, os agentes encontraram um homem morto. Com ele, segundo a PM, havia uma pistola, que foi apreendida.

Mais tarde, houve uma nova troca de tiros, quando os policiais flagraram criminosos armados na linha férrea. Um suspeitos morreu e outro foi encontrado ferido. Ele foi levado para o Hospital Souza Aguiar, no Centro do Rio. Nessa terceira ação foram apreendidas mais pistolas.
As ocorrências foram registradas na Divisão de Homicídios (DH). Os agentes da unidade fizeram perícia em todos os locais onde houve confronto armado.
Escolas sem aula e busca a suspeitos

O clima continua tenso na Providência nesta sexta. Duas escolas, uma creche e um Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) estão sem atendimento no turno da manhã, segundo a Secretaria municipal de Educação. As unidades atendem a 975 alunos nesse período.
Um morador lava o sangue no local onde a Kombi foi atacada

Um morador lava o sangue no local onde a Kombi foi atacada Foto: Fabiano Rocha / Fabiano Rocha
Equipes do Bope buscam suspeitos de terem participado do tiroteio – alguns estão com binóculos para observar a movimentação no alto da favela. Não há notícias de novos confrontos ou prisões.

Extra Online