A nova linguagem do Rock in Rio

Sabe aquele camarote VIP, sonho de consumo de tantos e tantos frequentadores de grandes eventos? Esqueça. Desgastada pelo uso, a palavra perdeu nobreza e deixou de passar a ideia de espaço exclusivo – no Rock in Rio, quem é considerado VIP recebe convites para lounges.

No samba ‘Linguagem do Morro’, composto em 1961, Padeirinho e Ferreira dos Santos contaram que “Baile lá no morro é fandango/ Nome de carro é carango/ Discussão é bafafá”. O evento carioca também tem uma linguagem particular.

Os tradicionais estandes também sumiram nesta edição do festival. Os patrocinadores têm seus espaços para promover suas marcas, mas o substantivo que os definia deu lugar a uma palavra que serve para definir esses locais e os eventos neles realizados – o que há são “ativações”. Um show, uma festa, uma distribuição de brindes – tudo pode ser chamado de “ativação”.

Na mesma linha, empresas tratam de ressaltar “o poder disseminador de suas marcas”. Bater perna pela gigantesca Cidade do Rock também ganhou nome chique. O material da organização diz que a “nova planta circular” da Cidade do Rock permitirá “que o visitante passeie em fluxo contínuo”. Um fluxo permeado de ativações.

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