A três dias de julgamento de Mursi, protestos terminam em confrontos

MursiIslamistas protestaram nas ruas de várias cidades egípcias nesta sexta-feira, 1º de novembro, contra o julgamento do ex-presidente Mohamed Mursi, deposto do poder. Houve confrontos com a polícia em Alexandria. O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, visitará o Cairo na véspera do julgamento, que vai se iniciar na segunda-feira.

Os islamistas pedem o retorno de Mursi ao poder, ele que foi o primeiro presidente democraticamente eleito desde a queda do ditador Hosni Mubarak. A coalizão de apoio ao presidente havia convocado as manifestações a partir desta sexta, em todo o país. Na segunda-feira, está prevista uma grande mobilização em frente ao tribunal onde ocorrerá o processo.

Na cidade de Alexandria, houve confronto entre a polícia e manifestantes após os policiais começaram a utilizar gás lacrimogêneo contra os participantes do protesto. Cerca de 60 manifestantes foram presos. O choque acontece um dia depois de 20 islamistas serem detidos.

O Egito levará o ex-presidente a julgamento quatro meses depois de sua queda, que levou o país a viver uma série de manifestações violentas. Esta será a primeira vez que Mursi aparecerá em público desde que foi derrubado, em julho. Ele foi substituído por autoridades do Exército egípcio, que desde então têm governado sob o signo da repressão e da prisão de islamistas, aliados do presidente deposto. Cerca de 2 mil pessoas – quase toda a direção da Irmandade Muçulmana, a confraria à qual Mursi pertence – estão atrás das grades.

Diante da convocação para as manifestações de segunda-feira, um plano foi montado para garantir a segurança do tribunal, com 20 mil homens mobilizados em todo o Cairo. Mursi responderá, junto a outros 14 acusados, por “incitação ao assassinato” de manifestantes em frente ao palácio presidencial, em 5 de dezembro de 2012.

O julgamento ameaça agravar as divisões políticas no país. O ex-presidente Mursi se encontra detido em um local secreto desde que, em 8 de julho, os confrontos entre partidários e soldados deixaram 50 mortos diante do local onde ele se encontrava preso inicialmente, desencadeado uma escalada da violência nas semanas seguintes.

Ao contrário de Mubarak, Mursi já advertiu que não vai cooperar com a justiça, por não reconhecer a autoridade da corte. Ele e os demais acusados podem ser condenados à pena de morte ou à prisão perpétua. Depois de seis meses no poder, Mursi estabeleceu por decreto ficar acima de todo controle judicial, o que motivou as manifestações contra ele.

Kerry visita o país

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, visitará no domingo o Egito pela primeira vez desde que o Exército derrubou em julho o presidente islâmico. A visita deve durar apenas algumas horas.

O Egito é um importante aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio, mas as relações bilaterais estão deterioradas desde a intervenção militar contra Mursi. Em outubro, Washington anunciou a suspensão do envio de tanques, caças, helicópteros e mísseis, além de reter uma ajuda financeira de 260 milhões de dólares, à espera de que haja o retorno da democracia e uma melhora nos direitos humanos no Egito.
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