Aesa diverge da CAGEPA e prevê fim do racionamento em Campina Grande já para os próximos dias

Há mais de dois anos, Campina Grande e mais 18 municípios do Compartimento da Borborema, abastacidas pelo açude Epitácio Pessoa em Boqueirão, convivem com o racionamento. A medida, adotada pela Companhia de Água e Esgoto da Paraíba (CAGEPA), foi tomada devido a situação crítica do manancial, que chegou a atingir o volume morto. Com a chegada das chuvas, e das águas da transposição do  Rio São Francisco, o açude começou a recuperar o volume de água armazenada.

O presidente da AESA, João Fernandes afirmou em entrevista a imprensa campinense que até o dia 19 de julho é provável que o município de Campina Grande esteja liberado das restrições do uso da água do açude de Boqueirão. Ele espera que até lá o açude tenha recebido o volume de água necessário para a liberação.

Projetado pelo Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS), para acumular 411 milhões 686 mil 287 metros cúbicos, o açude de Boqueirão está hoje, com 28,9 milhões de metros cúbicos de água. Segundo João Fernandes, até o dia 19 de abril, o açude estava com menos de 12 milhões, mas mesmo com o aumento ainda está sendo pouca a vazão de água por conta do problema que houve do rompimento no canal.

“Com a restauração do sistema feito pelo governo estamos recebendo uma quantidade menor de água. Para se ter uma ideia está chegando a Monteiro 3. 170 litros por segundos. A nossa expectativa é que aumente para 9 litros por segundo para não atrapalhar o nosso planejamento. Se isso tivesse sido alcançado em 60 dias nós já teríamos resolvido o problema de Campina Grande”, destacou.

Segundo ele, a experiência no dia a dia obrigou os técnicos a fazerem um prognóstico de 60 a 90 dias para o pronto restabelecimento do abastecimento no compartimento da Borborema.

“Nós desejamos que no máximo, no dia 19 de julho, a cidade de Campina Grande esteja liberada do racionamento, mas os três metros cúbicos não são suficientes para nos dar a tranqüilidade, se não fossem as chuvas caída em Caraúbas, Coxixola, São Domingos do Cariri e Monteiro”, disse.

Ontem o gerente regional da Cagepa, Ronaldo Menezes, afirmou que o volume do açude de Boqueirão está com 6,8% da capacidade, e para que Campina Grande possa sair do racionamento é preciso atingir 8,2%.

Ronaldo destacou que a vazão que está chegando ao Açude de Boqueirão, oriunda das águas do Rio São Francisco, é de 3,08 metros cúbicos por segundo e que o racionamento só deve acabar no final de julho/começo de agosto.

– O que realmente importa é o que estamos acumulando, o que chamamos de aporte, 1,98 metros cúbicos por segundo, saindo o que a Cagepa retira e a evaporação. Fazendo a conta, com esta vazão, precisamos de um mês para sair do racionamento, ou seja, em meados do fim de julho para o início de agosto – comentou.

O racionamento na região abastecida pelo açude começou em 6 de dezembro de 2014, quando o manancial estava com 24% do volume. O açude entrou no volume morto em 18 de junho de 2016 ao atingir a marca de 8,22%, o que corresponde a 33,875 milhões de metros cúbicos de água.

PB Agora

Foto: Isnaldo Cândido/Arquivo pessoal)