João Pessoa 09/12/2018

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Alexandre Nardoni obtém parecer favorável para ir ao semiaberto

Ele fez um exame criminológico a pedido do MP, depois que a defesa dele entrou com um pedido de progressão de regime. O detento nega autoria do crime e, por isso, diz não sentir culpa. Junta médica e técnica sinalizou que ele está apto ao benefício.

O consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni (c) deixa o 9º Distrito Policial de São Paulo, na zona norte da capital paulista. Alexandre é pai da menina Isabella, de 5 anos, que morreu ao cair do sexto andar do prédio onde moram. Foto de 03/04/2008 — Foto: Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo/Arquivo

O detento Alexandre Alves Nardoni, condenado a 30 anos e dois meses de prisão pela morte da filha Isabella, obteve parecer favorável para o pedido de progressão de regime para o semiaberto. O parecer é resultado de um exame criminológico feito a pedido da Justiça, que apontou de forma unânime, que ele possui ótima conduta e está apto ao benefício. O pedido para passar ao regime prisional mais brando foi feito em setembro.

Alexandre está preso desde 2008, em Tremembé (SP), no presídio conhecido por abrigar presos de casos de grande repercussão. Foram internos recentemente da unidade o médico Roger Abdelmassih e Daniel Cravinhos, ex-namorado de Suzane Richthofen, e condenado pela morte dos pais dela.

No semiaberto há a possibilidade do detento trabalhar fora da unidade durante o dia e voltar para unidade somente para dormir.

Além disso, os presidiários nesse regime, e com bom comportamento, podem deixar a prisão cinco vezes ao ano, durante as saídas temporárias. Isso já ocorre com a esposa de Alexandre, Anna Carolina Jatobá, desde o ano passado.

O parecer deve embasar a decisão da juíza Sueli Zeraik sobre o semiaberto ao detento. Não há prazo definido para o julgamento. A defesa de Alexandre Nardoni foi procurada, mas não quis comentar o caso.

Criminológico

O pedido de progressão foi feito pela defesa de Nardoni , que considera que ele já tem o direito a um regime prisional mais brando porque já cumpriu o lapso temporal necessário à concessão do benefício – o correspondente a dois quintos da pena, considerado no cálculo o abatimento de 634 dias da pena por trabalhar na penitenciária.

O exame criminológico a que Nardoni foi submetido foi um pedido de um promotor do Ministério Público, que antes da juíza decidir, se manifesta sobre os pedidos dos detentos.

O laudo criminológico favorável ao pai de Isabella foi assinado no último dia 24, de forma conjunta, por três profissionais do presídio onde ele é interno, sendo assistente social, diretor de segurança e disciplina, diretor técnico geral; além de uma psicóloga e psiquiatra.

Isabella Nardoni morreu em 2008 após queda de apartamento do pai, Alexandre Nardoni — Foto: Reprodução/TV GloboIsabella Nardoni morreu em 2008 após queda de apartamento do pai, Alexandre Nardoni — Foto: Reprodução/TV Globo

Isabella Nardoni morreu em 2008 após queda de apartamento do pai, Alexandre Nardoni — Foto: Reprodução/TV Globo

Sem culpa

Alexandre Nardoni diz não sentir culpa pela morte da filha, isso porque continua negando a autoria do crime.

Aos profissionais que aplicaram o exame sobre a morte de Isabella, ele diz que “sente a perda da filha, não consegue entender os porquês da tragédia que assolou sua família e que, com a morte dela, parte de si morreu junto e que nunca mais se sentirá completo”.

No laudo consta ainda que em todo o período que esteve preso em Tremembé, desde maio de 2008, o detento possui ótima conduta, sem faltas e que recebe com frequência visita dos pais e dos filhos. Além disso, Nardoni continua o relacionamento com a esposa Anna Carolina Jatobá, porém por cartas e por meio de informações trazidas pela família, já que ela não faz visitas para ele durante as saídas temporárias dela.

Sobre trabalho, o documento aponta que “nestes anos em Tremembé, trabalhou em setores como faxina, lavanderia, rouparia e na Empresa da Funap , onde trabalha atualmente como oficial encarregado do almoxarifado na fábrica de reforma de carteiras e cadeiras escolares. Em relação ao futuro, diz que conta com proposta de trabalhar com o pai no escritório de advocacia da família ou na construtora/incorporadora, também do pai dele”.

Teste psicológico

Apesar do exame criminológico ter sido favorável ao detento, o Ministério Público acredita pela gravidade do crime e pela alta pena recebida por Alexandre, de mais de 28 anos, o parecer do MP será contrário à saída neste momento.

“Vamos pedir o teste Rorschach , que é um exame psicológico ainda mais elaborado e aprofundando , para que então a gente tome a decisão final sobre a possibilidade ou não desta progressão para este mais brando”, explicou o promotor Luiz Marcelo Negrini.

O processo segue agora para a VEC (Vara de Execuções Criminais), onde a juíza deve sinalizar se acompanha o MP, determinando o novo teste ou optando pela progressão imediata de regime.

G1