Amelinha comemora 40 anos de carreira no Teatro Sesc Casa do Comércio

Amelinha despontou para a fama nacional no final dos anos 1970, início dos 80, com as músicas Mulher Nova, Bonita e Carinhosa faz o Homem Gemer Sem Sentir Dor, Frevo Mulher e Foi Deus que Fez Você. Um sucesso tão estrondoso, que lhe rendeu disco de ouro.

Quarenta anos depois, a cantora cearense vem a Salvador com o show Passeio, no Teatro Sesc Casa do Comércio, neste sábado, 19, às 21h, para festejar as quatro décadas de estrada.

No repertório, as três canções que já se tornaram clássicos da música popular brasileira imortalizados na voz de Amelinha, e muitas outras que também fazem parte da sua caminhada musical.

“Passeio é um afluente do projeto Janelas do Brasil, que conta um tanto de minha trajetória”, diz a artista.

A cantora revela que tudo começou quando ela passou a cantar em festivais e espaços culturais estudantis lá pelos idos de 1970.

“Minha carreira foi sendo construída através de amigos da minha irmã, quando morávamos numa república. Depois das aulas à noite, tinha um café onde costumávamos ir e todos queriam ouvir a irmã da Silvia cantar. Foi por aí que foram me tangendo, já que sou canceriana…. (risos) E depois tudo foi acontecendo. Comecei a receber convites e participar de encontros, festivais etc”, confidencia Amelinha.

Profissionalmente, a carreira deslanchou depois de uma turnê em Punta del Este e Montevidéu (Uruguai), ainda na década de 1970, com Vinícius e Toquinho.

“Aí sou oficializada cantora, pois até então só cantava nos auditórios das universidades”, acrescenta a intérprete, que lançou, logo depois, Flor da Paisagem, o primeiro disco de carreira.

Longe dos holofotes

Apesar de não ser uma artista que esteja costumeiramente na grande mídia, Amelinha garante que já fez muita televisão. “Agora, realmente, só faço alguns programas de acordo com minha agenda ou com o contexto do mesmo, entende”?

E como tem acontecido com uma boa parcela de artistas que fizeram muito sucesso no final do século passado, mas que, hoje em dia, não são muito conhecidos do público jovem, a internet tem se encarregado de revelá-los para essa garotada.

Então, com a web dando uma mãozinha, muitos desses artistas conseguem redesenhar a própria trajetória.

“Em 2007, meu filho me falou ‘mãe, você está direto na internet e os internautas estão te ouvindo e dizendo pra você gravar novos discos’. Desse tempo pra cá, veio uma nova fase, me estimulando demais e alegrando muito meu coração”, suspira, esperançosa.

Turma do Ceará

No início da carreira, a cantora fez parte do Pessoal do Ceará, grupo que era formado, dentre outros, pelos compositores Fagner, Belchior e Ednardo (Pavão Misterioso).

No entanto, se engana quem pensa que o movimento se desfez. “O Pessoal do Ceará existirá sempre. São todos aqueles que estão por lá com seus formatos e manifestações artísticas. Pessoal do Ceará sempre foi uma expressão comum e carinhosa entre nós”, desvenda a artista.

Daqui pra frente, Amelinha, 69, quer atravessar a idade cantando e com saúde.

“Isso é uma graça de Deus, pois é meu ofício e minha missão, além dos filhos. Quero também plantar uma árvore e escrever um livro, que já comecei e o título será No dia em que aprendi a andar”, complementa.

E para o show da noite deste sábado, sobem ao palco com a intérprete o maestro Julio Brau e o violonista Cesar Rebec.

“A participação especial será do público, o que será uma grande alegria, com fé em Deus”, conclui.

A Tarde