Análise: Cássio, Cícero, Agra e a operação Ruy Carneiro

cassio e cícero e ruyAs informações sobre a possível candidatura do deputado Ruy Carneiro a vice-governador na chapa do senador Cássio Cunha Lima, ambos do PSDB, não são apenas especulações. São verdadeiras.
A candidatura de Ruy faz parte de uma operação do candidato tucano para aumentar o tempo de propaganda na televisão e no rádio na campanha eleitoral.

O objetivo verdadeiro não é apenas permitir acordo para o ex-deputado Wilson Santiago ser candidato a senador e, com isso, somar o tempo de televisão do PTB (52 segundos e 56 milésimos de segundo).
A operação visa, sobretudo, atrair os apoios dos partidos Solidariedade (SDD), do deputado Benjamim Maranhão, e o PSC, do suplente de deputado Leonardo Gadelha. O SDD dispõe de um tempo 1 minuto e 45 milésimos de segundo e o PSC tem 40 segundos e 96 milésimos de segundo de tempo na televisão.

Os três partidos (PTB, SDD e PSC) somariam pouco mais de dois minutos e meio aos quase dois minutos do PSDB, que dariam ao candidato Cássio Cunha Lima, com os 27 segundos do PPS, um programa, ainda assim, inferior a cinco minutos. Mas já é muito se se levar em consideração que, sem isso, Cássio terá um programa com menos de três minutos.

O problema é que a operação Ruy Carneiro atropela o senador Cícero Lucena e o ex-prefeito Luciano Agra (PEN).
No caso de Cícero, ele não deverá ter apoio nem para ser candidato a deputado federal, já que as bases eleitorais de Ruy Carneiro seriam repassadas aos candidatos Benjamim Maranhão e Leonardo Gadelha, além de Pedro Cunha Lima, filho de Cássio. Neste formato, se quiser ser candidato, Cícero terá que arriscar e só contar suas próprias forças.

Em relação ao ex-prefeito Luciano Agra, ele também teria que ser alijado da chapa majoritária e também não teria apoios para ser candidato a deputado federal.

A maioria dos estrategistas de candidatura de Cássio concorda com a operação Ruy Carneiro. Entre os aliados do ex-prefeito Luciano Agra há dúvidas sobre os efeitos da operação, mas não haverá contestação se houver compensação no quadro de candidaturas a deputado estadual. Já o senador Cícero Lucena, pelo visto, não aceita.

Mas a operação não é simples e existem questões importantes a serem respondidas. É melhor para Cássio somar quase dois minutos de tempo na propaganda eleitoral ou tentar obter uma melhor votação em João Pessoa? Quem soma mais votos: o ex-prefeito Luciana Agra ou o SDD e o PSC? Ruy Carneiro conseguirá facilitar a campanha de Cássio em João Pessoa ou somará mais desgastes? Vale a pena ganhar a pecha de traidor alijando o senador Cícero Lucena do processo ou se conseguirá contornar as insatisfações? E se apenas um dos dois partidos cortejados – SDD e PSC – se dispuser a apoiar Cássio, ainda assim vale manter a operação Ruy Carneiro?

Evidencia-se, pois, que o senador Cássio Cunha Lima tem uma operação de risco no caminho de sua candidatura.
A articulação revela ainda que a candidatura de Cássio tem sérios problemas para contornar e que talvez ele não tenha planejado bem ou tenha se surpreendido com a ausência de adesões mais fáceis ao seu projeto político.

Mas campanha é assim, um jogo, que pode dar certo, mas pode dar azar, sem esquecer que não dá para combinar com os adversários. E vê-se que o senador Cássio Cunha Lima não está imune acima nem imune às regras do jogo. Terá que arriscar.

por Josival Pereira