Angola: Luaty Beirão terminou a greve de fome

Angola: Luaty Beirão terminou a greve de fome

luatiLuaty Beirão anunciou o fim da greve de fome mas avisou que não vai parar de lutar. O músico e activista entraria hoje no 37° dia de greve de fome, sendo um dos 15 angolanos em prisão preventiva desde 20 de Junho, acusados de actos preparatórios para uma rebelião em Angola e para um atentado contra o Presidente da República.

O activista angolano pôs um ponto final na greve de fome, ao fim de 36 dias, mas prometeu que não vai desistir de lutar pelo fim da “greve humanitária e de justiça” em Angola.

O rapper é um dos 15 angolanos em prisão preventiva desde 20 de Junho, acusados de actos preparatórios para uma rebelião em Angola e para um atentado contra o Presidente da República. Luaty Beirão levou a cabo a greve de fome para que as autoridades o deixassem – a ele e aos companheiros – aguardar o julgamento de 16 de Novembro em liberdade, visto que o prazo da prisão preventiva tinha expirado.

“Estou inocente do que nos acusam e assumo o fim da minha greve. Sem resposta quanto ao meu pedido para aguardarmos o julgamento em liberdade, só posso esperar que os responsáveis do nosso país também parem a sua greve humanitária e de justiça”, afirma Luaty Beirão, na carta em que anuncia o fim da greve de fome.

Na missiva intitulada “Carta aos meus companheiros de prisão”, Luaty Beirão – que se tornou em um dos rostos de contestação ao regime angolano – reconheceu o apoio, nacional e internacional pela “libertação” destes activistas.

“À sociedade: não vou desistir de lutar, nem abandonar os meus companheiros e todas as pessoas que manifestaram tanto amor e que me encheram o coração. Muito obrigado. Espero que a sociedade civil nacional e internacional e todo este apoio dosmedia não pare.”

O activista critica a forma como este processo foi gerido pelas autoridades angolanas e considera que “a vitória já aconteceu”: “E o mérito a seu dono: foi o próprio regime que, incapaz de conter os seus próprios instintos repressivos, foi, a cada decisão, obviando a vã promessa de democracia, liberdade de expressão e respeito pelos direitos humanos.”

Também detidos a aguardar julgamento estão: Domingos da Cruz, Afonso Matias “Mbanza Hamza”, José Gomes Hata, Hitler Jessia Chiconda “Samussuku”, Inocêncio Brito, Sedrick de Carvalho, Fernando Tomás Nicola, Nelson Dibango, Arante Kivuvu, Nuno Álvaro Dala, Benedito Jeremias, Osvaldo Caholo, Manuel Baptista Chivonde Nito Alves e Albano Evaristo Bingo.

Arguidas do mesmo processo e a aguardar julgamento em liberdade estão as activistas Laurinda Gouveia e Rosa Conde.

Por outro lado, Domingos Magno foi detido no dia 15 de Outubro por “falsa qualidade” por ter alegadamente sua posse um passe de imprensa que lhe daria acesso à Assembleia Nacional, onde pretendia assistir ao discurso sobre o Estado da Nação.

De notar, ainda, que Marcos Mavungo, detido há sete meses e condenado a 14 de Setembro a seis anos de prisão, foi acusado do crime de rebelião contra o Estado. Também Arão Bula Tempo foi acusado de crime de rebelião e instigação à guerra civil, aguardando julgamento em liberdade provisória. Ambos tinham tentado organizar uma manifestação a 14 de Março para denunciar violações de Direitos Humanos no enclave.

Carta de Luaty Beirão