Antonio Calloni vive homem infiel em 'Éramos seis' e lamenta: 'Machismo ainda está muito presente'

Antonio Calloni vive homem infiel em ‘Éramos seis’ e lamenta: ‘Machismo ainda está muito presente’

Antonio Calloni é Júlio em “Éramos seis” Foto: Raquel Cunha/Rede Globo/Divulgação
Antonio Calloni, em “Éramos seis”, é um típico homem de 1920. Júlio, protagonista da história inspirada no romance homônimo de Maria José Dupré, é provedor de sua família, demonstra ser apaixonado pela mulher, Lola (Gloria Pires), ainda que mantenha uma amante fixa, Marion (Ellen Rocche). A contradição se faz presente também na relação com os filhos, já que os ama, mas tem dificuldade de expor seus sentimentos. O vendedor da loja de tecidos não é mocinho, nem vilão. É apenas mais um na multidão que vive numa eterna corda bamba, entre erros e acertos.

— Júlio é um homem comum daquela época. Trabalhador, intempestivo, rígido na criação dos filhos — Carlos (Xande Valois), Alfredo (Pedro Sol), Julinho (Davi de Oliveira), Isabel (Maju Lima) — e extremamente amoroso com Lola, apesar de descontar na família as frustrações que tem no trabalho. No fundo, é só uma pessoa em busca da felicidade — observa o ator sobre o personagem, que morrerá no capítulo 48 (previsto para o fim de novembro), vítima de úlcera.

Lola e Júlio são casados em
Lola e Júlio são casados em “Éramos seis” Foto: Raquel Cunha/Rede Globo/Divulgação

Calloni vê nas características corriqueiras de Júlio a sua complexidade:

— A simplicidade é o mais difícil de fazer. Eu me considero um homem simples, mas interpretar um personagem assim é complicado porque tenho que tornar esse perfil dele em algo interessante.

Uma questão que Júlio traz à tona é o machismo. Para o personagem, trair a mulher é tão natural que sequer se sente culpado por manter uma vida dupla.

— Marion não é uma paixão, é um caso. Além das relações sexuais, eles têm um companheirismo, uma intimidade de amigos. Júlio desabafa com ela sobre os seus problemas. Marion é, sobretudo, uma confidente. Naquela época, esse tipo de relação era comum. O homem dava suas saidinhas e a mulher fingia que estava tudo bem. O problema é que o contrário era crime. Olha só como as coisas mudaram! De todo modo, o machismo ainda está muito presente, mais do que eu ou as mulheres gostaríamos. Ainda precisamos avançar muito — frisa.

Antonio Calloni interpreta o machista Júlio em
Antonio Calloni interpreta o machista Júlio em “Éramos seis” Foto: Raquel Cunha/Rede Globo/Divulgação

Um dos sinais de que o machismo não ficou no passado é que a forma como Júlio conduz sua vida afetiva ainda se faz presente.

— Até hoje existem resquícios desta criação machista. A gente ainda carrega essa herança, mas, diferentemente do que acontecia antigamente, não há mais essa compreensão de que está tudo bem se homem der suas saidinhas. Quando ele faz isso, a mulher também tem esse mesmo direito. A gente tem que batalhar pela igualdade — frisa o ator, casado com a jornalista Ilse Rodrigues e pai de Pedro.

Na pele de Júlio, Calloni ainda joga luz sobre o drama do alcoolismo:

— A bebida é a válvula de escape de Júlio, uma maneira de desafogar o peso de pagar aquela casa imensa e de criar quatro filhos.