Apesar de ameaças dos talebãs, afegãos vão às urnas para escolher novo presidente

Eleição talibãAs eleições presidenciais neste sábado (5), no Afeganistão, foram marcadas pela calma e presença massiva de eleitores, apesar das ameaças dos extremistas talebãs de perturbar o pleito. A votação é vista como um teste crucial para a estabilidade política do país. O vencedor vai substituir Hamid Karzai, que não pode concorrer a um terceiro mandato.

Longas filas foram vistas ao longo do dia diante de muitos dos 6400 locais de votação. Os resultados preliminares só serão divulgados a partir de 24 de abril.

O grande desafio do novo presidente será liderar a luta contra os talebãs sem a ajuda de tropas lideradas por americanos, além de fortalecer a economia, que atualmente depende de ajuda externa, que vem diminuindo.

Oito candidatos disputam as eleições presidenciais, e três despontam como favoritos. Abdullah Abdullah é o principal representante da oposição e foi o segundo colocado nas eleições de 2009. Abdullah garante que só as fraudes podem impedi-lo de vencer. Outro favorito, Zalmai Rassul, era o ministro das Relações Exteriores e foi conselheiro de segurança de Karzai, de quem reivindica ser o herdeiro político.

Críticas

O atual presidente deixa o poder sob críticas de todos os lados. Dos ocidentais, por não assinar um acordo de segurança com os Estados Unidos para garantir uma presença militar americana no país em 2015. Dos afegãos, por não ter conseguido afastar o terrorismo e ter promovido poucos avanços no desenvolvimento econômico e das instituições afegãs.

Nas eleições de 2009, Karzai foi reeleito sob a sombra de um índice elevado de fraudes.

Logística

Os resultados desse primeiro turno serão conhecidos no próximo dia 24 de abril. Caso nenhum dos candidatos alcance 50% dos votos, o segundo turno será realizado no dia 28 de maio. Mas o resultado final deve demorar para ser divulgado por causa de problemas logísticos. Até chegarem aos locais oficiais de apuração, por exemplo, as cédulas são transportadas, na maioria das vezes, em comboios de mulas, único meio de transporte possível nas áreas mais remotas do país.

Fraudes

Além da ameaça de ataques durante o processo eleitoral e durante a contagem de votos, as fraudes também são outra ameaça. Os poucos observadores internacionais que permaneceram no país após o ataque do hotel Serena no dia 20 de março, reclamaram das condições de trabalho.

Os serviços de trocas de mensagem por telefone celular foram cortados neste sábado. Para a missão de observação da União Europeia, isso representa um “risco” para a “transparência” dessas eleições, avaliou Thijs Berman, chefe da missão. Sem poder trocar informações por torpedo, Berman explica que os observadores ficam sem nenhum comunicação, o que terá um impacto direto no trabalho da equipe.

Quanto à violência, 350 mil militares foram mobilizados para fazer a segurança das sessões eleitorais. Neste sábado, porém, duas pessoas ficaram feridas na explosão de uma bomba artesanal em Logar (centro).

Na última eleição presidencial, em 2009, os talibãs organizaram uma série de ataques no dia do pleito, o que fez com que apenas 30% dos eleitores comparecesse para votar.

 

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