Após queda recorde em Xangai, Bolsas europeias operam em baixa de mais de 4%.

bolsa de xangaíInvestidores observam os painéis com as cotações das ações em queda em Kuala Lumpur, na Malásia

XANGAI e TÓQUIO – As principais bolsas asiáticas desabaram nesta segunda-feira, preocupadas com a desaceleração da economia chinesa, apesar dos esforços das autoridades para tentar tranquilizar os investidores. A Bolsa de Xangai registrou a maior perda diária desde 2007, despencando quase 8,5% e zerando os ganhos acumulados no ano. Impactadas pela Ásia, as Bolsas europeias também operavam em forte baixa: Paris e Frankfurt perdiam mais de 5% no meio do dia, um pouco mais do que Londres (-4,50%), Milão (-4,64%) e Madri (-4,64%). O desempenho do mercado brasileiro e o preço do petróleo, que caía.

Os mercados da Ásia caíram depois que Pequim não deu passos políticos no fim de semana para apoiar as bolsas, como se esperava depois de uma queda acumulada de 11% na semana passada. A decisão de permitir que fundos de pensão administrados por governos locais invistam, pela primeira vez, no mercado acionário, canalizando potencialmente centenas de bilhões de yuans para o combalido mercado acionário chinês, parece não ter sido suficiente.

Além disso, a principal agência de planejamento econômico do país afirmou nesta segunda-feira que a pressão sobre a economia chinesa se tornou mais óbvia, uma vez que o país ainda enfrenta muitas dificuldades e desafios. A China espera atingir as principais metas econômicas para o ano e ao mesmo tempo manter o crescimento dentro de uma faixa razoável, disse a Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento (NDRC, na sigla em inglês) em comunicado em seu site.

A baixa desta segunda-feira, que derrubou os principais índices acionários abaixo de níveis técnicos importantes, anulou o pouco que restava dos ganhos que o mercado vinha acumulando no ano, que chegaram a ser expressivos.

A Bolsa de Xangai perdeu nesta segunda-feira 8,49%, acentuando a queda da semana passada, em um mercado muito nervoso pela situação da economia chinesa apesar dos esforços das autoridades para tranquilizar os investidores. Em 3.210 pontos, o índice voltou ando ao patamar do início de 2015. A marca só fica atrás da queda de 8,8% registrada em 27 de fevereiro de 2007.

A Bolsa de Shenzhen, a segunda maior da China, registrou queda de 7,70%, a 1.882,46 pontos. Já o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, despencou 8,75%, para 3.275 pontos.

A Bolsa de Hong Kong caiu pelo sétimo dia consecutivo, recuando 5,2%, para 21.251 pontos. Segundo analistas, o movimento foi causado pelo desempenho onshore fraco e porque investidores venderam ativos denominados em yuans após a inesperada desvalorização da moeda chinesa em agosto.

Além disso, todos os contratos futuros dos índices na China recuaram 10%, limite diário, refletindo a queda dos preços das ações e apontando que ainda há dias ruins por vir.

“É um resultado desastroso para a China, após trabalhar tão duro para devolver o fôlego ao mercado doméstico após a quebra de 2007 e de ter gastado centenas de bilhões de dólares para levantar o mercado desde junho”, disse em relatório Angus Nicholson do IG Markets.

A Bolsa de Tóquio registrou baixa de 4,61%. O índice Nikkei perdeu 895,15 pontos, a 18.540,68 unidades.

A Bolsa de Sydney perdeu 4,09%, o menor nível em dois anos. O índice S&P/ASX200 cedeu 213,3 pontos, a 5,001.3 unidades. Taiwan perdeu 4,84% e Seul 2,47%.
O Globo