João Pessoa 11/12/2018

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Após ser flagrada tirando mala da casa do marido preso, major se livra de punição

A major Paula Frugoni se livrou de ser punida pela PM após ser flagrada tirando uma mala da casa do marido — o também major da PM Alexandre Frugoni — no dia em que ele foi preso. Em outubro do ano passado, Alexandre Frugoni, então comandante da UPP Caju, foi preso por agentes da Corregedoria após drogas e armas serem encontradas na base da unidade. No dia da operação, Paula foi flagrada, por câmeras de segurança do condomínio onde mora com o marido, tirando uma mala azul antes dos investigadores chegarem ao local.

A conclusão da investigação da PM sobre o caso foi publicada no boletim interno da corporação da última segunda-feira. Segundo o relatório, os atos praticados por dois oficiais, o major e seu subcomandante à época, tenente Iago Ariel Cabral Calheiros, e oito praças lotados à época na UPP “revelam atitudes incompatíveis com a condição de policial militar, assim, no exercício do seu poder disciplinar”. Foram instaurados processos administrativos que podem culminar na expulsão de todos da corporação.

Apesar de Paula não ter sido denunciada à Justiça, sua submissão a Conselho de Justificação — processo administrativo para julgar a conduta de oficiais — era esperada dentro da corporação. Além das imagens das câmeras de segurança, fazem parte da investigação escutas autorizadas pela Justiça em que a oficial fala sobre a mala. Às 8h14 do dia da operação, Paula liga para o marido. Ele atende e logo fala: “É o seguinte, aquela mala azul é…”. Paula o interrompe e diz: “Não já, já tá, já arrumei a casa. Fica tranquilo, o rapaz me ajudou”. Os investigadores não conseguiram apreender a mala.

Alexandre e Paula Frugoni
Alexandre e Paula Frugoni

Os PMs respondem na Justiça pelos crimes de latrocínio, associação criminosa, furto, roubo, peculato, fraude processual e posse de arma e drogas. No entanto, desde outubro respondem ao processo em liberdade.

Segundo a denúncia do MP, os agentes, além de terem roubado um fuzil de um traficante, também desviavam outros armamentos, drogas e munição apreendidos. De acordo com a denúncia, os policiais “deixaram de atuar conforme determina a legislação desviando em proveito próprio ou alheio materiais e objetos apreendidos, mantendo-os em suas residências ou nas dependências da unidade policial militar, sonegando sua apresentação ou utilizando-os para fraudar comunicações e registros realizados em sede policial”.

Em outubro do ano passado, ao longo das investigações, uma operação da Corregedoria da PM encontrou drogas e armas frias na base da UPP Caju. O material encontrado na busca, segundo apuraram os agentes da Corregedoria, era levado à delegacia no momento em que homicídios eram registrados pelos policiais. Os agentes afirmavam que as armas ou drogas estavam com a vítima.

Procurada desde terça-feira, a PM não se manifestou.

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