João Pessoa 21/03/2019

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Assoreamento do Rio Jaguaribe interrompe o fluxo das águas e coloca em risco a vida e a saúde da população de JP

O excesso de areia, ou seja, o assoreamento do Rio Jaguaribe, em João Pessoa, pode gerar diversos riscos para a população de oito comunidades na capital. Entre os problemas apresentados pelo Ibama estão a interrupção do fluxo natural das águas e, consequentemente, diversas complicações para o ecossistema, a fauna aquática, além de afetar indiretamente a população local. A partir do acúmulo de água represada, o local pode sofrer com a proliferação de vetores de doenças, como os mosquitos da dengue, ratos, cobras, fezes e animais mortos na casa dos ribeirinhos.

 

“Com relação à degradação ambiental, observa-se que a poluição do Rio Jaguaribe acontece de diversas formas, principalmente com a intensa e acelerada urbanização em suas margens. Como consequência desta ocupação desordenada, são gerados o desmate da mata ciliar, o assoreamento do rio, o lançamento de efluentes no corpo hídrico, além das obras de infraestrutura e interferências tanto nas margens quanto nas proximidades do leito do rio”, esclareceu o responsável pela Divisão de Fiscalização da Sudema (Difi), capitão Eduardo Cunha.

“O assoreamento interrompe o fluxo natural no rio, gerando problemas para o ecossistema e a fauna aquática. Tudo isso gera um grande impacto ambiental com o desequilíbrio do nível de oxigênio na agua”, alerta o chefe da Divisão Técnica Ambiental do Ibama, Geandro Guerreiro. A comunidade São José, em Manaíra, por exemplo, sofre com alguns pontos de alagamentos em períodos de chuva.

 

No entanto, o responsável pela Divisão de Fiscalização da Sudema afirmou que não houve denúncias por parte dos moradores. A Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de João Pessoa (Semam) também declarou a ausência de queixas de poluição na área, embora o órgão reconheça que este é um local vulnerável, que recebe atenção dos técnicos da Secretaria de Meio Ambiente.

 

O Rio Jaguaribe nasce no viaduto das Três Lagoas, cruza vários bairros da capital e é considerado um dos principais rios que compõem a bacia hidrográfica da Paraíba. Entre os bairros em que ele está presente estão Cruz das Armas, Castelo Branco e Cristo.

 

Com aproximadamente 15km de extensão, permeia oito comunidades pessoenses: Santa Clara e São Rafael (ambos no Castelo Branco); Tito Silva (Miramar); São José, Boa Esperança (Cristo), Chatuba (Manaíra), São Geraldo e Padre Hildon (Torre) e deságua no Rio Mandacaru.

 

A mata ciliar fica às margens dos rios e tem função de proteger a área. Por isso, segundo a decisão do juiz Adilson Fabrício Gomes Filho, da 1ª Vara Criminal da Comarca de João Pessoa, o empresário Roberto Santiago e o Manaíra Shopping foram responsáveis por um dano causado por um equipamento de desassoreamento em local indevido, que provocou o aterramento de área de mangue do rio próximo ao bairro de Manaíra. A condenação foi motivada por uma Ação Civil Pública do Ministério Público da Paraíba (MPPB) em dezembro de 2012. A ação foi movida depois da instauração de inquérito policial após denúncias de moradores do Bairro São José, que fica às margens do rio.

 

Em nota enviada pelas assessorias do Manaíra Shopping e de Roberto Santiago, o empresário afirmou que existe uma interpretação equivocada da decisão e que, por ter sido em primeira instância, ele diz que irá recorrer.

 

“O objeto da referida decisão não diz respeito a construção do shopping, ou ao seu estacionamento, mas versa, unicamente, sobre a limpeza e desassoreamento do Rio Jaguaribe, que foi executada pelos réu, para minimizar os danos gerados aos moradores da comunidade São José. A intervenção foi executada e custeada pelo réu, seguindo fielmente as licenças ambientais”, descreve a nota. Além disso, o documento explica que Roberto Santiago realizou a dragagem preventiva e a limpeza do leito do rio.

PB Agora