Ataque aéreo americano mata 16 policiais afegãos por engano

Cerca de 300 fuzileiros navais americanos foram destacados em abril para a regiao de Helmand para combater a ação dos talibãs.REUTERS/Omar Sobhani

Um bombardeio norte-americano visando talibãs matou 16 policiais por engano na sexta-feira (21) na província de Helmand, no sul do Afeganistão. O erro durante a operação fortalece as críticas contra a ação das forças estrangeiras no país.

Em um comunicado feito neste sábado (22), Salam Afghan, porta-voz da polícia de Helmand, informou que o ataque aéreo matou “16 policiais afegãos, entre eles dois comandantes”. Ele insistiu que o bombardeio “não foi deliberado” e que “meia hora antes os talibãs ainda estavam na região”. O governo enviou uma delegação ao local para que seja feita uma “investigação completa dos fatos”, assegurou o porta-voz do ministério de Interior em Cabul, Najib Danish.

A operação e o erro foram admitidos pelas forças ocidentais em Cabul por meio de um comunicado já na sexta-feira. A nota, que não fazia nenhum balanço, informava apenas que “disparos aéreos provocaram a morte de forças afegãs amigas que estavam reunidas em campo”.

A missão da Otan disse que os tiros foram em “uma área do sul do Afeganistão, em grande parte controlada pelos talibãs” e anunciou a abertura de uma investigação interna. A organização também transmitiu suas condolências “às famílias atingidas por este infeliz acontecimento”.

Região produtora de ópio é palco de conflitos

Grande parte da província de Helmand está nas mãos de talibãs, enquanto que os territórios que escapam de seu controle são palco de intensos combates. A província produz 85% do ópio afegão, principal fonte de renda dos insurgentes, que impõem taxas aos agricultores.

Para conter os talibãs, 300 fuzileiros navais americanos foram destacados em abril na base de Camp Bastino, ao norte de Lashkar-Gah, a capital da província. Dentro da coalizão ocidental, as forças de Washington são as únicas que executam bombardeios aéreos contra os talibãs e o grupo Estado Islâmico (EI).

Com o tempo, os repetidos erros das tropas estrangeiras alimentaram a ira da população contra as forças ocidentais. Em fevereiro deste ano, um bombardeio matou 18 civis de Helmand, segundo a Missão das Nações Unidas no Afeganistão (Manua). Em novembro, outro ataque, em princípio visando chefes talibãs na região de Kunduz (norte), deixou 32 mortos e 19 feridos, incluindo várias mulheres e crianças, também de acordo com a missão da ONU.

No dia 14 de julho, fontes locais anunciaram que oito civis afegãos ficaram feridos em um bombardeio aéreo em Uruzgan (ao norte de Helmand), atribuído a “forças estrangeiras”. No entanto, um porta-voz militar americano rejeitou as acusações e afirmou que “não foi realizado nenhum bombardeio nesse dia na província de Uruzgan”.

Noticiário Francês