Ataque em fábrica na França mata um e deixa dois feridos.

ataque francesPolícia reforça segurança na entrada da empresa Air Products, após ataque que matou um e deixou dois feridos

ISÈRE — Um corpo foi encontrado decapitado e pelo menos duas pessoas ficaram feridas em um suposto ataque islâmico a uma fábrica de gás perto da cidade francesa de Lyon nesta sexta-feira. Houve várias explosões, possivelmente causadas por botijões de gás, na multinacional Air Products, em Saint-Quentin-Fallavier, na província de Isère. Um dos dois suspeitos, identificado como Yacinne Sali e já conhecido pelas autoridades, foi detido. O outro foi morto na cena do ataque por um bombeiro. No mesmo dia, um ataque terrorista perto de dois hotéis na Tunísia deixou ao menos 27 mortos. Na quinta-feira, o Estado Islâmico havia convocado seus seguidores a aumentarem ataques durante o Ramadã contra cristãos, xiitas e muçulmanos sunitas que estiverem lutando com a coalizão liderada pelos Estados Unidos contra o grupo extremista.

Com semblante sério, o presidente francês, François Hollande, disse em entrevista coletiva não ter dúvidas de que se trata de um ataque terrorista. Inscrições em árabe foram encontradas no corpo decapitado, informou o presidente. Após o atentado, Hollande decidiu deixar a cúpula da União Europeia (UE) em Bruxelas e voltar para a França. O premier Manuel Valls, que está na Colômbia para uma viagem de quatro dias, também antecipou sua volta ao país.

— A intenção não deixa dúvidas: era provocar uma explosão. O ataque é de natureza terrorista — afirmou Hollande, expressando solidariedade às vítimas.

O ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, que está no local do crime, confirmou que havia bandeiras islâmicas na cena do ataque e ordenou o reforço da segurança em locais vulneráveis nos arredores de Lyon. Ele disse que “uma vítima inocente foi assassinada e vilmente decapitada”.

Os dois suspeitos teriam chegado de carro até o local e chocaram o veículo contra a entrada da fábrica. Depois, causaram uma explosão com bombas de gás da própria empresa.As circunstâncias da decapitação ainda não estão claras. Fontes disseram que um agressor degolou um homem com uma faca, o decapitou e deixou seu corpo perto da entrada da fábrica. A cabeça teria sido pendurada em uma grade.

De acordo com o jornal francês “Dauphiné Libéré”, a vítima decapitada seria o gerente de uma empresa de transportes com sede em Chassieu, a 32 quilômetros do local do atentado. Ele foi à fábrica buscar uma entrega, onde teria sido atacado.

Segundo o ministro do interior, a equipe de investigação está tentando traduzir a frase escrita na bandeira deixada no local.

VIGIADO POR RADICALIZAÇÃO

O suspeito Yacinne Sali, de 35 anos, já era conhecido pelas autoridades. De acordo com os serviços de inteligência, ele não tinha participado de atividades terroristas, mas estava sendo vigiado por radicalização. Suspeito de ter ligações com o movimento salafista, Salim residia na região de Lyon, em Saint-Priest.

— Ele foi colocado sob vigilância antiterrorista em 2006 e 2008 — explicou Cazeneuve. — É um indivíduo que tem relações com o mundo salafista, mas nunca foi identificado por participar de um ato terrorista. Não tem registo criminal nesse sentido.

Autoridades francesas abriram uma investigação sobre terrorismo após o ataque, que ocorreu por volta de 10h (horário local). Inicialmente, foram relatados vários feridos.

Local do ataque – .

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy emitiu uma declaração dizendo que “a República nunca vai ceder à barbárie terrorista”. No Twitter, o líder do partido socialista Jean-Christophe Cambadélis pediu união.

Em um comunicado, a multinacioinal Air Products, que tem sede na Pensilvânia, nos Estados Unidos, confirmou o ataque e disse que a prioridade é cuidar dos funcionários. Todos foram retirados da unidade. A empresa fornece gás, produtos químicos e equipamentos associados.

O atentado vem num momento em que a França está em alerta máximo após os ataques islâmicos contra o jornal satírico francês “Charlie Hebdo” e um mercado de produtos judaicos em Paris, em janeiro, que deixaram 17 pessoas mortas.

Bombeiros isolam a área ao redor da fábrica onde houve explosão na cidade de Isère, na França