Áudio mostra bandido ameaçando motorista após carreta travar em favela

Ladrões de carga voltaram a atacar com ousadia no Rio de Janeiro. Eles abordaram uma carreta por volta das 22 horas de domingo (1º), na Avenida Brasil, uma das principais vias da cidade. Mandaram o motorista entrar no Complexo da Pedreira, um conjunto de favelas na Zona Norte dominado por traficantes de drogas, que também atuam no roubo de cargas. A área é vizinha ao Complexo do Chapadão, outro bunker dos assaltantes. Como o caminho da favela não estava previsto no roteiro de viagem, o sistema de segurança travou o motor e as rodas da carreta, que ficou parada na Rua Sérgio Siqueira Macedo. O que se seguiu mostra a afronta sem limites dos criminosos à combalida segurança pública do Rio de Janeiro.

O traficante ligou para a equipe que faz a segurança da transportadora exigindo que o veículo fosse desbloqueado antes de a polícia chegar. “A favela vai ter operação daqui a duas horas. Está entendendo? Essa p… dessa carreta está me atrasando todinho”, disse o traficante. “Quem está falando é o dono da favela. Eu vou te dar cinco minutos, mano.” A Pedreira é dominada pela facção Amigos Dos Amigos, a ADA, a mesma que controla a Rocinha, na Zona Sul. “Eu estou tentando”, respondeu o segurança. “O primeiro ‘pipoco’ vai ser no meio da testa do motorista. Essa p… está me atrasando e sujando a minha favela”, ameaçou o criminoso.

Outra vez o segurança quis explicar: “Estou tentando tirar o carro daí já tem um tempão. A central [que pode desbloquear a carreta] não tem mais atendimento, só de manhã. E a outra não consegue resolver”. O traficante foi irônico: “Melhor perder a carga do que perder a vida… A carga é o de menos. [A gente] sai na rua pega outra e ainda pega duas de vocês. Agora a vida do motorista você bota a mão na consciência depois”.

O vice-presidente do sindicato das empresas do transporte de cargas, Donizeti Pereira, disse que a carreta foi destravada algum tempo depois. O motorista se salvou, mas, claro, saiu traumatizado. A transportadora Tranziran perdeu a carga. Pereira disse que a PM não entrou na comunidade porque está com o veículo blindado, o Caveirão, quebrado.

Época