‘Bacurau’ estreia nesta quinta nos cinemas da PB

‘Bacurau’ estreia nesta quinta nos cinemas da PB

Depois de uma série de pré-estreias e exibições especiais, Bacurau entra em cartaz nos cinemas nesta quinta-feira (29). São 248 salas em 85 cidades brasileiras, incluindo João Pessoa, Campina Grande, Patos e Remígio. Assista ao trailer abaixo.

O filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, com presença forte da Paraíba no elenco, chega com uma trajetória de aclamação crítica e uma recepção calorosa do público pelas redes sociais.

Somos apresentados a Bacurau, um pequeno vilarejo fictício no meio do Sertão pernambucano, e seus habitantes. Após velarem Dona Carmelita, uma das decanas da cidade, coisas estranhas começam a acontecer em Bacurau, em uma escalada de violência que despertará o instinto de autopreservação daquelas pessoas.

João Pessoa foi uma das cidades brasileiras a receber as pré-estreias do filme. No dia 21, parte do elenco e a dupla de diretores estiveram aqui para debater sobre a obra com o público. Juliano Dornelles afirmou que a reação engajada e acalorada do público em todas as sessões especiais se dá, especialmente, pela construção narrativa da história.

“Kleber e eu fizemos Bacurau de olho na forma como faziam filmes antigamente, de maneira mais desacelerada, de não precisar contar e explicar a história inteira nos primeiros 30 segundos. A gente tá preocupado em apresentar estes personagens, criar vínculo e identificação antes mesmo das coisas começarem a ficar estranhas ali”, explica. Kleber salienta, no entanto, que não se trata de um estudo de caso. “A gente não fez uma pesquisa, pôs um pouquinho de cangaço ali, de western ali. Foi um processo muito orgânico”, reforça.

Discussão com spoiler

O roteiro surge há dez anos, em 2009. “De lá para cá, fizemos vários projetos, Juliano esteve comigo em O Som ao Redor, em Aquarius, ele fez outros trabalhos. Mas foi ao longo desse tempo que a gente foi pensando nesse filme sobre uma pequena comunidade isolada no interior do Brasil”, completa Kleber Mendonça Filho.

O filme, no entanto, cai como uma luva diante das discussões atuais, como o crescimento do discurso pró-armamentista no país e lá fora. Colocar um grupo de estrangeiros caçando pessoas em uma espécie de safári macabro não é tanto um exercício de distanciamento ficcional quanto aparenta inicialmente.

Bacurau é violento, gráfico, gore. No entanto, preciso no uso desses recursos. Passeia por referências a filmes de faroeste, ação, terror, slasher e traz até mesmo momentos cômicos (“help!”; “socorro.”).

Alguns comentários a respeito do início do filme é que ele demora para engatar em sua história, se alongando desnecessariamente na apresentação da cidade. Acredito ser exatamente o contrário: esse primeiro momento, sem pressas, nos ajuda a construir um mosaico de relações humanas imprescindíveis para que o ato final consiga prender e engajar o espectador.

Mesmo com o verniz de violência, consigo enxergar algo de utópico em Bacurau. Diante de um destino massacrante, a recusa de baixar a cabeça e aceitar a tragédia como sina é um ato revolucionário por si só.

Mesmo que terminemos o filme com a sensação de que não há final feliz para o vilarejo, que ele possivelmente sofrerá novos ataques após aquele safári interrompido, o levante, o ato de cair – literalmente – atirando é como faísca em palha seca. Um ato de insubordinação diante de forças que não conseguimos dimensionar.

*André Luiz Maia, do Jornal CORREIO