Balança tem no ano superávit de US$ 4,5 bi, o maior para o período desde 2012.

balança comercial superávitiContêineres em porto brasileiro – Domingos Peixoto / Agência O Globo

BRASÍLIA – A balança comercial apresentou resultado positivo de US$ 2,379 bilhões em julho, o maior saldo para o mês desde 2012 (quando foi de US$ 2,863 bilhões), mantendo a tendência apresentada até o mês passado. O saldo acumulado no ano está em US$ 4,599 bilhões, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Também o resultado do ano é o maior desde 2012.
O resultado positivo em 2015, até julho, se dá por uma queda mais acentuada das importações (19,5%) do que das exportações (15,5%). No ano passado, entre janeiro e julho, o resultado apresentado pela balança era de déficit de US$ 952 milhões. Os dados apresentados hoje corroboram a expectativa do MDIC de um superávit de US$ 8 bilhões a US$ 10 bilhões para o resultado da balança comercial neste ano.

O volume de importações em julho foi de US$ 16,147 bilhões e, de exportações, US$ 18,526 bilhões. No acumulado do ano, as importações somam US$ 108,255 bilhões e as exportações apresentam total de US$ 112,854 bilhões. Com a queda de exportações e importações, no mês de julho, a corrente de comércio brasileira (soma do que vem de fora e do que é vendido para outros países) encolheu 22,1%, chegando a US$ 221,1 bilhões, o menor valor desde 2010.

Segundo Herlon Brandão, diretor de estatística e apoio à exportação do MDIC, em termos agregados a redução no valor das exportações neste ano é resultado da queda dos preços dos produtos, uma vez que os principais itens da pauta de exportações brasileira vem atingindo recordes em volume de vendas.

— A redução do valor exportado ao longo do ano é decorrente exclusivamente da redução dos preços dos produtos exportados, visto que as quantidades estão crescendo — disse Brandão.

Ele apontou que os preços das exportações brasileiras caíram, na média, 20,8% de janeiro a julho, enquanto que a quantidade subiu 7,2%. A queda dos preços de produtos básicos é resultado de uma conjuntura internacional. Entre os produtos que atingiram recorde em volume exportado de janeiro a julho deste ano estão: óleos brutos de petróleo, minério de ferro e seus concentrados, soja mesmo tributada, entre outros.

Segundo Brandão, ainda é cedo para apontar qualquer impacto no resultado comercial da balança brasileira em julho por conta da alta mais acelerada do preço do dólar no mercado, até porque o ritmo de atividade econômica no país teria mais peso no resultado agregado das importações.

— (O dólar em alta) encarece bens importados. Mas a magnitude desse efeito e quando ele vai ocorrer é muito difícil mensurar. O que tem de efeito mais imediato é ajudar a manter rentabilidade em real de setores que têm perdido em preço.

O Globo