Barbosa diz a investidores que inflação ficará abaixo de 7% em 2016.

minsitro barbosaO ministro da Fazenda, Nelson Barbosa

DAVOS – Um dia depois de o Banco Central (BC) decidir manter a taxa básica de juros da economia em 14,25% ao ano, aumentando a desconfiança do mercado em relação ao controle da inflação, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou a investidores em Davos, na Suíça, que o resultado do ano pode ser melhor do que o esperado. Em reunião com empresários interessados em projetos de infraestrutura, Barbosa afirmou que a expectativa da equipe econômica é que a inflação fique abaixo dos 7% esperados pelo mercado:

— A expectativa de mercado é que a inflação caia para 7% em 2016. Nós esperamos que ela caia para abaixo disso, se possível, para 6,5% ou abaixo disso. É claro que o ano está apenas começando, ainda temos muita volatilidade no câmbio, mas acho que podemos ter a surpresa positiva de ver uma queda maior do que o mercado espera hoje — afirmou Barbosa em entrevista concedida no início da noite.

Os jornalistas pediram que o ministro fizesse uma avaliação do impacto da decisão do BC na economia, mas Barbosa evitou comentar:

— O BC tem autonomia para determinar a taxa de juros da maneira que ele achar adequada para controlar a inflação. Sobre isso eu não tenho nenhum comentário.

O ministro também foi questionado sobre a forte alta do dólar hoje, que foi parcialmente influenciada pela decisão da autoridade monetária de não mexer na Selic. Barbosa disse que não teve tempo de olhar com calma os números, mas lembrou que houve uma volatilidade mundial nesta quinta-feira:

— Me parece ter havido uma volatilidade no mercado mundial que pode ter influenciado a taxa de câmbio. Não tenho ainda informações suficientes para determinar a principal razão dessa volatilidade.

O ministro disse que os investidores cobraram do governo uma melhoria da regulação e do sistema tributário para facilitar investimentos no Brasil. Eles também pediram a criação de um escritório que centralize o atendimento a empresas estrangeiras que estejam interessadas no país. A ideia é que elas possam obter num único lugar informações que hoje estão espalhadas em diferentes órgãos como Receita Federal, ANTT e Ministério do Desenvolvimento, por exemplo.

— Ele pediram um escritório no modelo “one stop shop”. Uma área que possa fazer essa primeira abordagem — explicou ele.

Segundo o ministro, o governo vai analisar a demanda, mas caberá ao Ministério do Planejamento definir se será criado um novo órgão ou se as agências de promoção que já existem, como Apex, podem ser expandidas.

Barbosa voltou a defender a estratégia dos bancos públicos de usarem os recursos recebidos pelo pagamento das pedaladas fiscais para reforçar linhas de crédito direcionado. Ao ser perguntado se isso não poderia ser visto como uma medida heterodoxa que vai na contramão do discurso mais ortodoxo que Barbosa vem fazendo em favor do ajuste fiscal, ele rebateu:

— Heterodoxia e ortodoxia não são os termos adequados para julgar essa discussão. Havendo recursos para atender a essa demanda, o governo tem obrigação de fazê-lo — disse ele, acrescentando ainda:

— As ações vão falar por si mesmas.

CRESCIMENTO NO QUARTO TRIMESTRE

Barbosa comentou a queda na arrecadação em 2015 afirmando que ela foi um reflexo da queda da atividade e da renda no ano passado. Segundo ele, o governo está trabalhando para recuperar a economia, que pode voltar a crescer e gerar empregos já no último trimestre de 2016:

— As estimativas do mercado (para o PIB) estão extremamente pessimistas. Vamos voltar a crescer no quarto trimestre. É para isso que estamos trabalhando. É possível estabilizar a atividade mais rápido do que espera o mercado.

Barbosa também comentou o prisma fiscal, pesquisa que passou a ser divulgada pelo Ministério da Fazenda no ano passado, com as estimativas do mercado financeiro para o resultado das contas públicas. Os analistas trabalham com um déficit primário de quase R$ 70 bilhões este ano. Segundo o ministro, as expectativas são voláteis e o governo vai continuar trabalhando para atingir a meta de superávit primário de 0,5% do PIB:

— Quando estabilizarmos a atividade e o nível de emprego e de renda vamos conseguir estabilizar a arrecadação, que é crucial para recuperar o equilíbrio fiscal — disse ele, alertando, no entanto, que a realização da meta demanda a aprovação da CPMF:

— Atingir a meta fiscal inclui aprovação da CPMF e da DRU (Desvinculação de Receitas da União). Envolve ações administrativas. Depende da colaboração do Congresso Nacional.

O Globo