BB anuncia apoio ao setor automotivo com desembolso de R$ 3,1 bi até o fim do ano.

fabrica de wolksSÃO PAULO – O Banco do Brasil anunciou nesta quarta-feira acordos com entidades representativas do setor automotivo para apoio a fornecedores do setor, com desembolso de R$ 3,1 bilhões até o fim de 2015. O apoio do banco poderá se estender a “uma ampla gama de setores produtivos”, o que poderá levar a “desembolsos da ordem de R$ 9 bilhões”, informou a instituição em comunicado à imprensa.

O maior banco por ativos do país afirmou ainda que a ideia é ajudar montadoras e produtores de peças automotivas a pagar dívidas com credores. O setor vive grave crise nas vendas, com anúncio de demissões e suspensão na produção, o que levou o governo a recorrer aos bancos públicos para tentar salvar o segmento. Nesta terça-feira foi a vez de a Caixa Econômica Federal anunciar condições especiais nas linhas de crédito e de capital de giro para o segmento

Os dois anúncios estão entre os motivos para as ações do setor bancário registrarem queda significativa nesta quarta-feira. Para analistas, voltaram as preocupações sobre o uso de bancos públicos para estimular a economia. As medidas afetam principalmente BB e Caixa, diante da percepção de ingerência política, mas acaba tendo efeito sobre os bancos privados, que podem se ver pressionados pelos rivais estatais.

Os papéis preferenciais (PNs, sem direito a voto) do Itaú Unibanco caem 2,01% e os do Bradesco recuam 2,80%. No caso do Banco do Brasil, a queda é de 4,48%.

As condições diferenciadas oferecidas pela Caixa poderão ser usadas por todas as empresas, mas o banco promete taxas menores para os empresários que se comprometerem a não demitir. O objetivo é emprestar o equivalente a R$ 5 bilhões até o fim do ano.As linhas de financiamento terão recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do BNDES. Para quem assumir o compromisso de manter o quadro de trabalhadores atual, as taxas de juros para capital de giro e investimento serão de 0,83% ao ano com prazo de 60 meses e carência de até seis meses para início do pagamento das prestações.

Uma outra linha de crédito, com taxa de juros de 1,41% ao ano, será destinada a antecipações de contratos firmados entre fornecedores e a montadora ou sistemista. A garantia utilizada será o próprio contrato já firmado e o fornecedor poderá antecipar recursos para auxiliar na gestão do fluxo financeiro. Os prazos, conforme a Caixa, vão variar de acordo com o contrato.

A Caixa irá fornecer ainda um linha de crédito do Programa Pró-Transporte para renovação de frota, com taxas de juros máximas correspondentes à Taxa Referencial (TR) mais 9% ao ano e até 96 meses para pagar, a depender do projeto a ser financiado. O convênio prevê ainda o financiamento de máquinas e equipamentos novos e usados com taxas de 1,5% ao mês + TR. A carência é de seis meses e os prazos vão até 60 meses.

As linhas pretendem ajudar as empresas a cumprirem os compromisso de fim de ano, como, por exemplo, o pagamento do 13º salário. A Caixa, contudo, não tem o poder de obrigar as empresas a manterem os funcionários, nem como fiscalizar as firmas em relação à folha de empregados.O Globo