BC e mercado projetam inflação abaixo do piso da meta

Banco Central do Brasil, fachada externa. Brasília, 02-03-2017. Foto Sérgio Lima/Poder 360.

Projeções dos bancos e consultorias ouvidos pelo Poder360 variam de 2,75% a 2,89%

O IBGE divulga nesta 4ª feira (10.jan.2018) o resultado do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 2017, considerado a inflação oficial do país. O Banco Central projeta inflação em 2,8%, abaixo do piso da meta, de 3%. Em 2017, o centro da meta era de 4,5%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

O mercado também aposta em uma inflação no mesmo patamar. As projeções dos bancos e consultorias ouvidos pelo Poder360 variam de 2,75% a 2,89%:

Entre os fatores que influenciaram a queda da inflação está o forte recuo dos preços dos alimentos no último ano. “Só esse item deve trazer uma contribuição negativa de 0,86 ponto percentual no IPCA“, estima Leonardo Costa, economista da Rosenberg Associados.

Responsável por 24,71% do índice, a inflação de alimentos e bebidas acumula queda de 2,40% em 2017 e de 2,32% em 12 meses, fechados em novembro.

O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, explica que de 2011 a 2016, a inflação de alimentos subiu 9% ao ano. Em 2017, até novembro, ela acumula deflação de 2%. “Isso é muito raro de acontecer. É tirar a sorte grande”, analisa.

CONTENÇÃO DA DEMANDA E JUROS INFLUENCIARAM

Perfeito também cita a contenção da demanda, motivada pela desaceleração econômica dos 2 anos de recessão, e a demora do Banco Central em reduzir a taxa de juros como os principais fatores que levaram a uma inflação abaixo do piso da meta.

“O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, foi mais cauteloso. Manteve uma inflação abaixo do piso por conta de elementos incertos. Poderia ter cortado mais a Selic, mas preferiu uma taxa mais alta do que o necessário”, diz.

Costa afirma que havia receio, no início do ano, de que a inatividade não influenciasse tanto os preços. “Já estávamos em crise há 2 anos e o efeito da queda da demanda não estava tão contundente. Em 2017, entretanto, os efeitos apareceram com mais força e isso também fez com que o resultado ficasse abaixo do esperado inicialmente”, explicou.

EXPLICAÇÕES DO BC

Caso as expectativas se concretizem, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, terá de enviar uma carta aberta ao ministro Henrique Meirelles (Fazenda) justificando o descumprimento. Será a 1ª vez que isso acontece desde a implementação do sistema de metas, no governo Fernando Henrique Cardoso.

Na análise do economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, apesar da necessidade de apresentar justificativas, o resultado é satisfatório para o Banco Central. “O índice foi influenciado por fatores que fogem dos instrumentos de política monetária”, afirmou.

Para ele, a inflação baixa reforça a expectativa de queda de juros, expansão monetária e estímulo na economia por meio da maior oferta de crédito.

“Ainda que o cenário político nacional e mudanças na política monetária norte-americana deixem algumas incertezas, estamos otimistas para este ano. Setores importantes, como construção e veículos, vão voltar a crescer, postos de empregos vão ser recuperados e o consumidor voltará a comprar via crédito”, disse.

Agostini projeta que a inflação fechará 2018 próxima ao centro da meta, que também é de 4,5%.

Poder360