BC reduz projeção de crescimento do PIB em 2019 para 2%

No relatório trimestral de inflação, o BC apresenta suas projeções para a economia

O BC (Banco Central) revisou sua expectativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2019. A autoridade monetária espera que a economia cresça 2% neste ano. Em dezembro do ano passado, projetava alta de 2,4%.

As informações são do Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta 5ª feira (28.mar.2019). Leia a íntegra.

“Essa revisão está associada à redução de carregamento estatístico de 2018 para 2019, resultante do crescimento no 4º trimestre de 2018 em magnitude menor do que esperada; aos desdobramentos da tragédia em Brumadinho sobre a produção da indústria extrativa mineral; às reduções em prognósticos para a safra agrícola; e, residualmente, à moderação no ritmo de recuperação“, diz o BC.

Na semana passada, o Ministério da Economia também cortou sua projeção, que passou de 2,5% para 2,2%. Analistas de mercado consultados pelo BC no Boletim Focus esperam alta de 2%.

Revisões do BC para os componentes do PIB:

  • Agropecuária: de 2% para 1%;
  • Indústria: de 2,9% para 1,8%;
  • Serviços: de 2,1% para 2%;
  • Consumo das famílias: de 2,5% para 2,2%;
  • Consumo do governo: permaneceu em 0,6%;
  • Investimentos: de 4,4% para 4,3%;
  • Exportações:  de 5,7% para 3,9%;
  • Importações: de 6,1% para 5,6%.

Uma das revisões mais significativas se deu na Agropecuária. A projeção de crescimento cai de 2% para 1%. De acordo com o BC, a mudança reflete reduções em estimativas para a safra agrícola de 2019, com destaque para a menor produção esperada para soja.

Para a indústria, a expectativa passou de 2,9% para 1,8%. “A estimativa de crescimento da indústria de transformação passou de 3,2% para 1,8%, motivada pelo desempenho abaixo do esperado ao final de 2018 e pelos resultados de indicadores referentes à atividade fabril no início deste ano. A previsão para a indústria extrativa recuou de 7,6% para 3,2% em razão das expectativas de redução da produção após o rompimento da barragem de mineração em Brumadinho”, destacou.

Outra revisão importante se deu no consumo das famílias. A expectativa passou de 2,5% para 2,2%. Segundo o BC, a mudança está “em linha com o relativo arrefecimento no ritmo de recuperação do mercado de trabalho no final de 2018 e início deste ano”. 

Já a previsão para as exportações caiu de 5,7% para 3,9%. Isso devido, principalmente, à queda na estimativa para a safra de grãos, aos possíveis impactos na exportação de minério de ferro após a tragédia de Brumadinho, à redução nas previsões para o crescimento mundial e a incertezas quanto à recuperação da economia argentina.

INFLAÇÃO EM 2019 

A projeção do BC para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial do país, foi mantida 3,9%. Esse cenário considera as previsões para juros e câmbio presentes no Boletim Focus.

Com isso, a inflação deve terminar o ano abaixo do centro da meta de inflação, que para 2019 é de 4,25%, com 1,5 ponto percentual de tolerância para cima (5,75%) ou baixo (2,75%).

Para 2020, a projeção passou de 3,6% para 3,8%. Para 2021, subiu de 3,6% para 3,9%.

O documento traz, ainda, outras estimativas para o IPCA, considerando diferentes cenários para juros e câmbio. Eis os intervalos das projeções:

  • para 2019: de 3,9% a 4,1% (centro da meta é de 4,25%);
  • para 2020: de 3,8% a 4% (centro da meta é de 4%);
  • para 2021: de 3,8% a 4,3% (centro da meta é de 3,75%).

O BC destaca que as projeções apresentadas dependem de diversos fatores, entre eles, a evolução das “reformas e ajustes necessários na economia”.

Poder360