Bebianno diz à PF que Bolsonaro chancelou repasses a Bivar para entrar no PSL

© Sérgio Lima/ Poder360 Bebianno foi o 1º integrante do 1º escalão a deixar o governo Bolsonaro

O ex-ministro Gustavo Bebianno (Secretaria Geral) disse em depoimento à Polícia Federal que o presidente Jair Bolsonaro chancelou 1 acordo para repassar 30% do fundo eleitoral do PSL (cerca de R$ 2,7 milhões) para o diretório do partido em Pernambuco.

Ao ser questionado por que o diretório de Pernambuco foi beneficiado com as maiores cifras, Bebianno disse que, no começo de 2018, Bolsonaro e o deputado Luciano Bivar fecharam 1 acordo para que o então pré-candidato a presidente entrasse no PSL. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo na manhã desta 2ª feira (4.nov.2019).

“Perguntado sobre quem seria o responsável pela definição das contas relativas aos fundos partidário e especial [eleitoral] para cada estado e seu correlato repasse para os candidatos durante o processo eleitoral, [Bebianno] respondeu que na forma do acordo político celebrado entre Jair Bolsonaro, Luciano Bivar, Fernando Francischini [então deputado federal pelo Paraná e aliado de Bolsonaro], Antônio Rueda [braço-direito de Bivar], Eduardo Bolsonaro [filho do presidente] e o declarante, parte relevante do fundo eleitoral, em torno de 30%, seria destinado para o estado de Pernambuco, estado original da fundação do PSL, e que os 70% restantes seriam distribuídos de acordo com o peso eleitoral de cada estado”, diz a transcrição de parte de seu depoimento divulgado pelo jornal.

Bebianno foi o coordenador da campanha presidencial de Bolsonaro nas eleições de 2018. Presidiu nacionalmente a legenda nesse período. No início da gestão, chegou a ser ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. Em fevereiro, foi demitido do cargo.

O PSL de Pernambuco é chefiado por Bivar, que é presidente nacional do partido e foi 1 de seus fundadores. Bivar é citado nos esquemas de candidatas laranjas da sigla.

Em outubro, por causa de uma citação a Bivar, Bolsonaro disse a 1 apoiador para “esquecer o PSL” porque Bivar estava “muito queimado”. Agora, Bolsonaro cobra publicamente transparência do partido.

Bebianno foi chamado a depor para a PF pelos supostos repasses de verba às supostas candidatas laranjas de Pernambuco ter saído do diretório nacional do PSL, que na época era presidido por ele.

Aos investigadores, Bebianno disse que a decisão sobre as candidaturas nos Estados coube exclusivamente aos diretórios regionais. A Executiva Nacional era responsável apenas por formalizar o repasse de dinheiro.

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