Bielorrussa Svetlana Alexievich vence o Nobel de Literatura

Bielorrussa Svetlana Alexievich vence o Nobel de Literatura

BELARUS-NOBEL-LITERATURE-DATE-FILES-557Svetlana Alexievich não tem nenhum livro publicado no Brasil.

ESTOCOLMO – A Academia Sueca premiou Svetlana Alexievich com o Nobel de Literatura de 2015. A obra da jornalista e escritora bielorrussa de 67 anos, jamais publicada no Brasil, foi classificada como um “monumento ao sofrimento e à coragem” pelos jurados. A decisão foi anunciada na manhã desta quinta-feira.
Oito escritores consagrados que não ganharam o Prêmio Nobel
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O escritor russo Liev Tolstói Foto: Divulgaçãolievy
Liev Tolstói
Em 1901, no ano de estreia do Prêmio Nobel, a escolha do poeta francês Sully Prudhomme em detrimento de Liev Tolstói provocou um escândalo. Um grupo de artistas suecos chegou a escrever para o russo lamentando a decisão da Academia Sueca.

Apesar de inédita nas estantes das livrarias brasileiras, Svetlana já publicou em 19 países. Seu primeiro romance, lançado em 1985, conta a história de mulheres que batalharam contra o nazismo e vendeu 2 milhões de cópias. Seu livro mais famoso é “Vozes de Chernobyl”.
Em entrevista por telefone ao canal sueco SVT, Svetlana disse que o prêmio despertava nela sentimentos “complexos” e lembrou autores russos premiados com o Nobel, como Ivan Bunin (1933) e Boris Pasternak (1958): “Por um lado, é um sentimento fantástico, mas também é um pouco perturbador”.

A escritora contou à TV sueca que estava passando roupa quando recebeu a notícia. Ela disse que espera que o prêmio de cerca de 1 milhão de sólares traga tempo e liberdade para escrever: “Levo muito tempo para escrever meus livros, de 5 a 10 anos. Tenho duas ideias para novos livros, então fico feliz por ter liberdade para trabalhar neles agora”.

Svetlana ficou conhecida por suas narrativas baseadas em depoimentos sobre grandes eventos históricos do Leste da Europa, como a queda da União Soviética e o desastre nuclear de Chernobyl, na Ucrânia. Em 2000, ela foi obrigada a deixar a Bielorrússia por sofrer perseguições do governo do presidente Alexander Lukashenko, que ocupa o posto desde 1994, e só pôde retornar ao seu país de origem em 2011.

O japonês Haruki Murakami e o nigeriano Ngugi Wa Thiong’o também eram cotados para receber a honraria. O prêmio, que paga cerca de 8 milhões de coroas suecas (R$ 3,7 milhões), é cercado por surpresas. Um dos exemplos mais significativos foi a escolha da austríaca Elfriede Jelinek, em 2004, até então desconhecida fora do universo germânico. Outros casos, como o do chinês Mo Yan, em 2012, não só surpreenderam como também causaram polêmica. Ano passado, o francês Patrick Modiano foi o escolhido.

Em 114 anos de Nobel, Svetlana foi a 14ª mulher a ser escolhida. As outras premiadas foram Alice Munro (2013), Herta Müller (2009), Doris Lessing (2007), Elfriede Jelinek (2004), Wislawa Szymborska (1996), Toni Morrison (1993), Nadine Gordimer (1991), Nelly Sachs (1966), Gabriela Mistral (1945), Pearl Buck (1938), Sigrid Undset (1928), Grazia Deledda (1926) e Selma Ottilia Lovisa Lagerlöf (1909).

Ganhadores do Nobel de literatura desde 1980

— 2015: Svetlana Alexievich, Bielorrússia.

— 2014: Patrick Modiano, França.

— 2013: Alice Munro, Canadá.

— 2012: Mo Yan, China.

— 2011: Tomas Transtromer, Suécia.

— 2010: Mario Vargas Llosa, Perú.

— 2009: Herta Müller, Alemanha.

— 2008: Jean-Marie Gustave Le Clezio, França.

— 2007: Doris Lessing, Grã Bretanha.

— 2006: Orhan Pamuk, Turquia.

— 2005: Harold Pinter, Grã Bretanha.

— 2004: Elfriede Jelinek, Áustria.

— 2003: J.M. Coetzee, África do Sul.

— 2002: Imre Kertesz, Hungria.

— 2001: V.S. Naipaul, britânico nascido em Trinidad.

— 2000: Gao Xingjian, francês nascido na China.

— 1999: Guenter Grass, Alemanha.

— 1998: Jose Saramago, Portugal.

— 1997: Dario Fo, Itália.

— 1996: Wislawa Szymborska, Polônia.

— 1995: Seamus Heaney, Irlanda.

— 1994: Kenzaburo Oe, Japão.

— 1993: Toni Morrison, Estados Unidos.

— 1992: Derek Walcott, Santa Lucia.

— 1991: Nadine Gordimer, África do Sul.

— 1990: Octavio Paz, México.

— 1989: Camilo José Cela, Espanha.

— 1988: Naguib Mahfouz, Egito.

— 1987: Joseph Brodsky, americano nascido na Rússia.

— 1986: Wole Soyinka, Nigéria.

— 1985: Claude Simon, França.

— 1984: Jaroslav Seifert, Tchecoslováquia.

— 1983: William Golding, Grã Bretanha.

— 1982: Gabriel García Márquez, Colômbia.

— 1981: Elias Canetti, britânico nascido na Bulgária.

— 1980: Czeslaw Milosz, americano nascido na Polônia.

O Globo