BNDES fica menor, e isso não é ruim

O BNDES encolheu em 2016. O valor desembolsado no ano caiu 35%, para R$ 88 bi. Isso não necessariamente é uma má notícia. A orientação mudou. O banco está menos dependente do endividamento do governo, mais focado e com critérios melhores.

Nos governos anteriores o BNDES foi inchado com dinheiro público para beneficiar algumas empresas escolhidas. A estratégia passada é conhecida como política industrial vertical. Já foi usada outras vezes e não deu certo. O governo escolhia alguns grupos que recebiam recursos com os juros subsidiados do BNDES. No final da década passada, o Tesouro se endividou em R$ 500 bilhões para financiar essa estratégia.

Um exemplo aconteceu com o grupo JBS. O BNDES comprou R$ 3,5 bi em debêntures lançadas pelo grupo, que usou o dinheiro para adquirir a americana Pilgrim’s Pride, especializada em frango. O JBS ficou mais rico, investiu o recurso nos EUA e criou empregos por lá. Hoje, o grupo fatura mais fora do país do que aqui dentro.

Nem sempre o dinheiro liberado pelo BNDES significa mais emprego e atividade econômica no Brasil. Hoje fica claro que em alguns casos a política dos governos anteriores serviu ao enriquecimento individual de grupos econômicos escolhidos.

A maneira de atuar do BNDES é mais importante do que o volume que ele opera. No ano passado, o banco não só parou de receber dinheiro do Tesouro como devolveu R$ 100 bi para que o endividamento público fosse reduzido. Parte do recuo nos desembolsos é resultado da recessão, mas a nova orientação claramente contribuiu.

O repasse do Tesouro é uma forma equivocada de financiar o BNDES. A gestão de Maria Silva começa a corrigir essa política. Os critérios mudaram, foram modernizados. Hoje o banco dá preferência ao retorno social, como a criação de emprego, inovação e proteção do meio ambiente. As micro, pequenas e médias empresas ganharam destaque.

Mírian Leitão  CBN.