Bolsas de NY caem, pressionadas por dúvidas sobre acordo comercial EUA-China

As bolsas de Nova York fecharam em território negativo nesta quinta-feira. Os índices foram pressionados pela cautela sobre a possibilidade de um acordo comercial abrangente entre Estados Unidos e China. Além disso, um indicador dos Estados Unidos não ajudou a apoiar o risco, mesmo que as ações de Apple e Facebook tenham registrado ganhos, amparadas por balanços que superaram as expectativas dos analista.

O índice Dow Jones fechou em queda de 0,52%, em 27.046,23 pontos, o Nasdaq caiu 0,14%, a 8.292,36 pontos, e o S&P 500 registrou baixa de 0,30%, a 3.037,56 pontos. Em todo o mês de outubro, o Dow Jones subiu 0,48%, o Nasdaq avançou 3,66% e o S&P 500 teve ganho de 2,04%, com desempenhos considerados “sólidos” pelo BMO Capital, amparados em parte pela determinação do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) em apoiar a economia, o que tende a ajudar o mercado acionário.

Havia espaço para uma correção, após o S&P 500 renovar recorde de fechamento na quarta-feira, apoiado pelo corte de juros do Fed. Além disso, pesou o fato de que uma reportagem da Bloomberg, a partir de fontes anônimas, sustentou que autoridades da China mostram dúvidas sobre a possibilidade de um acordo comercial abrangente de longo prazo com os Estados Unidos. A expectativa de que se feche a fase 1 de um acordo bilateral em novembro agora também segue em foco, após o Chile dizer que não poderá sediar a cúpula da Apec onde ocorreria essa assinatura. Nesta quinta, o presidente americano, Donald Trump, disse que Pequim e Washington trabalham para escolher um lugar para essa assinatura.

A corretora LPL Financial Research destacou em relatório que o dia foi de correção, após “um recorde de alta impulsionado pelo Fed” no índice S&P 500. “Manchetes pessimistas no comércio tiraram algum fôlego das ações”, apontou.

Na agenda de indicadores, o índice de atividade industrial de Chicago, elaborado pela unidade local do Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês), recuou de 47,1 em setembro a 43,2 em outubro, na mínima desde dezembro de 2015 e contrariando a previsão de alta a 48,5 dos analistas ouvidos pelo Wall Street Journal.

Entre os setores nas bolsas, o industrial e o financeiro estiveram entre os mais penalizados. Entre os bancos, Goldman Sachs caiu 1,13%, JPMorgan cedeu 0,64% e Citigroup, 1,52%. As petroleiras tampouco se saíram bem, em dia de quedas para o petróleo, como Chevron (-0,19%) e ExxonMobil (-0,22%), mas ConocoPhillips foi na contramão da maioria e subiu 0,29%.

Além disso, Apple fechou em alta de 2,26% e Facebook, de 1,81%, depois que as duas divulgaram números melhores que o esperado em seus balanços, que saíram depois do fechamento de quarta. O Credit Suisse afirmou ver um “começo sólido” para o ciclo do iPhone 11, mantendo classificação “neutra” para o papel e com preço-alvo de US$ 221. No fechamento de hoje, o papel alcançou US$ 248,76.

Estadão Contéudo