João Pessoa 23/04/2019

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Bolsonaro: Brasil fica no Acordo de Paris; Guedes fala sobre Previdência

Presidente havia dito que país sairia - Sinalizou atuar pela redução de CO2 - Guedes falou a executivos sobre reforma - Não a detalhou, mas explicou o plano B

O ministro da Economia, Paulo Guedes (dir.), quando foi empossado pelo presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro disse na noite desta 3ª feira (22.jan.2019), em Davos, que o Brasil ficará “por ora” no Acordo do Clima de Paris. A informação foi divulgada pelo jornal Valor Econômico.

Bolsonaro participou nesta noite de 1 jantar oferecido pelo fundador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, com presença de 30 empresários e executivos, incluindo os CEOs do Bank of America, Brian Moynihan, e da Salesforce, Mark Benioff.

No ano passado, durante a campanha, o presidente havia afirmado que, se eleito, o país deixaria o acordo fechado pela ONU em 2015, a exemplo dos Estados Unidos.

Há pouco participamos de jantar com grandes líderes empresariais e chefes de estado a convite do Presidente do Fórum Econômico Mundial, Professor Schwab. Uma enorme satisfação partilhar este momento e dividir experiências!

Logo depois, postou o discurso que fez. Disse que a equipe econômica fará “o dever de casa, que passa por reformas como a da Previdência”. Assista:

Agradeço o jantar oferecido em nome de nosso time. Diante da gentileza dos empresários em Davos, pude proferir algumas palavras. Muito obrigado a todos os senhores pela consideração. http://youtu.be/v_p3bFjNPf4 

De acordo com reportagem da Folha de São Paulo, 1 executivo presente na reunião com Bolsonaro e com o ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente foi questionado pelos representantes das multinacionais sobre quais eram seus planos em relação ao ambiente e à questão indígena.

Em resposta, Bolsonaro disse continuará no Acordo de Paris, mas que irá esperar uma contrapartida de outros países pelo fato de o Brasil ser 1 dos que menos poluem o planeta. A exemplo, esperará que países desenvolvidos cumpram o compromisso de fornecer mais de US$ 100 bilhões para países que estiverem em transição para uma economia menos carbonizada.

Bolsonaro ainda tuitou o resumo do dia em Davos:

Vídeo incorporado
SINALIZAÇÃO DE MUDANÇA

Em coerência com a possível permanência no Acordo de Paris, ao fim de seu discurso no FEM (Fórum Econômico Mundial) nesta 3ª feira (22.jan), Bolsonaro disse que atuará em sintonia com outros países para promover a redução de CO2 (dióxido de carbono).

“Nós pretendemos estar sintonizados com o mundo na busca da diminuição do CO2 e na preservação do meio ambiente”, disse o presidente, ao responder perguntas ao fim de seu discurso no fórum.

Questionado sobre as ações que faria para preservar o meio ambiente, o político do PSL disse que isso tem estar “casado com o desenvolvimento”.

O presidente falou ainda sobre o fato de o Brasil ter diversidade, mas não estar entre o que mais atrai turistas. “Vamos investir pesado na segurança para que vocês nos visitem com suas famílias, pois somos um dos primeiros países em belezas naturais, mas não estamos entre os 40 destinos turísticos mais visitados do mundo”.

GUEDES FALA SOBRE PREVIDÊNCIA

Enquanto Bolsonaro ignorou a reforma da Previdência no discurso do FEM, o ministro da Economia, Paulo Guedes, falou sobre a proposta do governo em encontro promovido pelo Itaú Unibanco. No entanto, o ministro não deu detalhes sobre a data de apresentação da proposta ao Congresso Nacional.

“Foi 1 discurso liberal, propositivo, afirmando que a reforma deverá ser aprovada pelo Congresso”, disse o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), à Folha de São Paulo.

“Guedes enfatizou a previsibilidade, a confiabilidade e o novo marco regulatório. Foi o primeiro passo do governo aqui em Davos para aumentar a atratividade do país”, completou o tucano.

Segundo jornal, Guedes mencionou durante o almoço qual seria o plano B caso a reforma não passe no Legislativo: desvincular do Orçamento despesas obrigatórias, passando todas para as mãos dos Estados.

No Instagram, o general Augusto Heleno, disse que, em jantar com investidores em Davos, Bolsonaro disse que a reforma da Previdência “é imprescindível”.

“Ele sempre tem dito que a reforma que precisa ser feita é aquela que pode ser aprovada. No fórum achei o discurso ótimo. Muito preciso. Cada parágrafo com uma ideia de força. Em relação ao discurso ter sido curto, se fosse longo, também iriam reclamar. Há uma marrentice daqueles que sempre criticam”, disse, ao citar o fato de que o discurso de Bolsonaro durou apenas 5 minutos e 40 segundos.

O FÓRUM ECONÔMICO MUNDIAL

A 39ª edição do encontro anual do FEM está sendo realizado na cidade suíça de Davos. O evento vai até 6ª (25.jan).

O FEM, com sede em Genebra, foi criado em 1971 pelo professor suíço Klaus Schwab. Apesar de não ser o único evento da organização, o Fórum de Davos serve como uma vitrine para governos, empresários e organizações trocarem experiências e atraírem o interesse de investidores internacionais.

Foram confirmadas as ausências de Donald Trump –que negocia a aprovação do orçamento do governo após 1 mês de shutdown, o maior da história há alguns dias–, do francês Emmanuel Macron –que enfrenta as constantes manifestações dos “coletes-amarelos”–, e da primeira-ministra Theresa May –envolta nas negociações para aprovar a saída britânica da União Europeia.

Por conta disso, a delegação brasileira –capitaneada pelo presidente Jair Bolsonaro, em seu 1º compromisso no exterior desde que tomou posse– deve ser a grande atração do evento. Ele será o 1º chefe de Estado a discursar na abertura do Fórum.

Com o tema “Globalização 4.0: Moldando uma Arquitetura Global na Era da 4ª Revolução Industrial”, a edição de 2019 do Fórum traz à mesa debates como o efeito das mudanças climáticas extremas no ciclo econômico mundial, as desigualdades sociais, a crise migratória na Venezuela e a preservação do meio ambiente –temáticas delicadas na agenda do chanceler Ernesto Araújo, 1 conhecido crítico da vertente globalista na abordagem diplomática.

Nesse sentido, a missão brasileira busca descaracterizar a imagem autoritária e isolacionista de Bolsonaro e apresentar o país como uma “democracia com economia vibrante do século 21”, de acordo com 1 membro da equipe de Guedes.

ALMOÇO FOI NO BANDEJÃO

Almoço do presidente Jair Bolsonaro nesta 3ª, em Davos, foi no bandejãoAlan Santos/PR – 22.jan.2019

O almoço de Bolsonaro não teve executivos. O presidente comeu no Migros, 1 restaurante “bandejão” de Davos.

Bolsonaro estava acompanhado por seguranças. E posou para fotos com algumas pessoas.

Homem faz selfie com o presidente em bandejão na Suíça

Poder360