Bolsonaro diz retomar ‘tratamento equilibrado às questões do Oriente Médio’

O presidente Jair Bolsonaro (dir.) com o premiê Benjamin Netanyahu (centro) em Israel

O presidente Jair Bolsonaro e sua comitiva chegaram nesta madrugada por volta das 4h –horário de Brasília– a Israel. Foram recebidos pelo primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu.

Felizmente retornamos o tratamento equilibrado às questões do Oriente Médio”, disse Bolsonaro em discurso na cerimônia de recepção. Leia a íntegra. 

Meu governo está firmemente decidido em fortalecer a parceria entre Brasil e Israel”, disse o presidente. “A cooperação nas áreas de segurança e defesa também interessam muito ao Brasil. Eu e meu amigo Netanyahu pretendemos aproveitar… aproximar nossos povos, nossos militares, nossos estudantes, nossos cientistas, nossos empresários e nossos turistas.”

Bolsonaro agradeceu a presença de Netanyahu em sua posse e a presença de militares israelenses nas buscas por sobreviventes em Brumadinho (MG), onde uma barragem se rompeu em 25 de janeiro.

O presidente chega para uma viagem de 4 dias. A ideia é discutir a ampliação do comércio com o país. Eis o roteiro completo da viagem. Neste 1º dia, Bolsonaro participa (em horário local, 6 horas à frente de Brasília) de:

  • almoço privado, às 13h;
  • reunião privada com Netanyahu, às 17h;
  • cerimônia de assinatura de acordos às 18h;
  • visita à residência do primeiro-ministro (às 19h10), onde ambos concedem declaração conjunta à imprensa (às 19h15) e jantam (19h45).

Trata-se da 4ª viagem de Bolsonaro ao exterior desde que assumiu o cargo. O capitão reformado do Exército já foi para Suíça, Estados Unidos e Chile. É o presidente que mais dias passou no exterior nos 3 primeiros meses de governo desde a redemocratização.

A visita de Bolsonaro é mais 1 sinal de aproximação entre Brasil e Israel. Em dezembro, o premiê israelense veio ao Brasil.  Participou da posse de Bolsonaro –pela 1ª vez, 1 primeiro-ministro do país participou da cerimônia de chegada ao cargo de 1 chefe do Executivo brasileiro.

Antes disso, Bolsonaro falou em mudar a embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém.

Acompanham Bolsonaro na viagem a Israel:

ministros:

  • Ernesto Araújo (Relações Exteriores);
  • almirante Bento Albuquerque (Minas e Energia);
  • Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Comunicações);
  • general Augusto Heleno (Segurança Institucional).

Senadores:

Outros:

  • deputada Bia Kicis (PSL-DF);
  • comandante do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, brigadeiro Raul Botelho;
  • secretário de Aquicultura e Pesca do Ministério de Agricultura, Jorge Seif Júnior.

Já estavam no país o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Maurício Valeixo, e Fábio Wajngarten, cotado para ser o próximo secretário de Comunicação.

RISCO PARA O COMÉRCIO COM ÁRABES

A aproximação com Israel põe em risco as transações com nações árabes.

Israelenses e países da Liga Árabe são grandes importadores de produtos do agronegócio brasileiro. O principal produto é a carne. A diferença está no volume: israelenses compraram R$ 82 milhões e os árabes, R$ 3,375 bilhões.

A balança comercial brasileira com os países árabes foi positiva em R$ 3,9 bilhões no ano passado. Com Israel, o Brasil teve deficit de R$ 848 milhões.

ELEIÇÕES EM ISRAEL

O encontro é realizado às vésperas das eleições gerais em Israel. O pleito será realizado em 9 de abril.

A coalizão do governo de Israel decidiu, em dezembro de 2018, dissolver o Knesset (parlamento de Israel) e antecipar as eleições gerais, então previstas para novembro.

A decisão foi motivada por conflitos em relação a 1 projeto de lei que permite recrutar judeus ultraortodoxos, atualmente isentos do serviço militar. Além disso, o premiê enfrenta acusações decorrentes de uma investigação de corrupção.

DISCURSO DE BOLSONARO

O discurso do presidente durou 5min28s. Eis o que ele disse:

“Prezado amigo, prezado irmão Benjamin Netanyahu, há 2 anos estive em Israel. Visitei o Rio Jordão. Por coincidência, o meu nome também é Messias. Senti-me emocionado naquele momento. 

Aceitei ao chamamento de 1 pastor da nossa comitiva e desci as águas do Rio Jordão. Uma emoção, 1 compromisso, uma fé verdadeira que me acompanhará pelo resto da minha vida.

Sempre admirei o povo de Israel. Depois dessa passagem, num período de pré-campanha e campanha, citava sempre qual ensinamento que teria levado de Israel para o Brasil.

Eu falava muitas vezes: nós sabemos que Israel não é tão rico quanto o Brasil, recursos naturais, entre outras coisas. Mas dizia: olha o que eles não têm e veja o que eles são,

E daí eu falava para os meus irmãos brasileiros: olha o que nós temos e veja o que não somos. Como poderemos ser iguais a eles? Devemos ter a mesma fé que eles têm.

E com esse sentimento –e usando também uma passagem bíblica, João 8:32, que diz: ‘E conheceis a verdade e a verdade vos libertará’– conseguimos vencer desafios no Brasil.

Dois milagres aconteceram comigo. Um é estar vivo. Fui muito bem atendido num 2º momento, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. 

Pelas mãos daqueles profissionais de saúde, bem como anteriormente pelos profissionais de saúde da Santa Casa, de Juiz de Fora, e com toda certeza, novamente, pelas mãos de Deus, consegui sobreviver e também ser eleito presidente da República num clima completamente hostil a minha pessoa. Mas eu tinha uma coisa que os outros não tinham: eu tinha o povo ao meu lado. 

Prezado irmão Netanyahu, é uma honra voltar a Israel. Realizo essa visita antes mesmo de completar meus 100 dias de mandato. Meu governo está firmemente decidido em fortalecer a parceria entre Brasil e Israel.

A amizade entre os nossos povos é histórica. Tivemos 1 pequeno momento de afastamento. Mas Deus sabe o que faz. Voltamos. Brasileiros e israelenses compartilham valores, tradições culturais e o apreço à liberdade e à democracia.

Juntos, nossas nações podem alcançar grandes feitos, Temos que explorar esse potencial. É isso que pretendemos fazer nessa visita. Antes de mais nada, quero aproveitar para agradecer a participação do primeiro-ministro Netanyahu por ocasião da minha cerimônia de posse. 

Foi a 1ª visita de um Chefe de Governo israelense ao meu país. Também quero expressar a gratidão do povo brasileiro pela demonstração inequívoca de solidariedade que nos ofereceu Israel no enfrentamento da tragédia de Brumadinho. Esse gesto jamais será esquecido.

É motivo de muito orgulho para mim e para o povo do meu país o papel que nosso chanceler Oswaldo Aranha desempenhou na criação do nosso Estado de Israel. 

Eu disse nosso. Felizmente retornamos o tratamento equilibrado às questões do Oriente Médio. O nosso ministro da Ciência e Tecnologia, único astronauta do Hemisfério Sul, aqui presente, Marcos Pontes, voltou de sua visita a Israel entusiasmado com as possibilidades de acordos e parcerias.

A cooperação nas áreas de segurança e defesa também interessam muito ao Brasil. Eu e meu amigo Netanyahu pretendemos aproveitar… aproximar nossos povos, nossos militares, nossos estudantes, nossos cientistas, nossos empresários e nossos turistas. 

Obrigado pela calorosa recepção. Estou certo de que teremos dias muito produtivos e agradáveis. Muito obrigado.”

Poder360